Dividir o espaço com outras pessoas não é uma tarefa fácil. Nas poucas vezes que eu pensei em me casar, eu tive poucas certezas.

Porém, sei que para eu tomar esta decisão, eu realmente vou ter que querer muito. Tenho vontade de morar com alguém, mas claro, tenho medo de estragar tudo. Como dividir o mesmo espaço e ainda assim manter sua privacidade? Eu confesso que não descobri como fazer isso. Sou individualista, detesto que mexam nas minhas coisas, gosto de manter as coisas em ordem e limpas. Não sou neurótica por limpeza e por organização, mas gosto de me sentir que estou num lugar habitável.

Enquanto uma nova tampa para a minha panela não aparece, eu divido o meu espaço com um amigo. E morar com amigo pode ser uma tarefa tão árdua quanto morar com um namorado [com o namorado ainda tem os momentos de reconciliação que costumam ser incríveis, já com o amigo, no máximo nos abraçamos e abrimos uma garrafa de vinho].

Moro numa cidade cara e morar sozinha não está muito ao meu alcance. Hoje me dou conta que abrindo mão de algumas coisas, morar sozinha seria possível e talvez me deixaria um pouco mais em paz comigo mesma.

O amigo com quem eu divido meu apartamento é uma das pessoas mais generosas que conheço, mas é espaçoso e bagunceiro o suficiente para me causar cabelos brancos. Já perdi um pouco os parâmetros da minha sanidade doméstica. Este final de semana foi a gota d´agua. Além da bagunça, da falta de zelo e porquice, eu senti meu espaço sendo invadido.

Quando dividimos um espaço, temos nossa área particular [leia-se quarto] e temos a área em comum [restante da casa]. A utilização desta parte II deve ser feita com bom senso. No sábado eu estava realmente cansada. Levantei cedo, fui correr alguns kilômetros no parque, fiz faxina, fui almoçar fora, recebi um amigo para um café a tarde em casa, fui ao cinema, jantei e voltei para casa com uma amiga a tiracolo. A idéia era tomar vinho, ouvir música e colocar o papo em dia. Porém, chegaram alguns amigos [em comum] convidados pelo meu roommate sem ele ao menos estar em casa [provavelmente contando com a minha presença para recebê-los].

Dei-me conta que uma festinha ia rolar e eu não tinha sido avisada. Ouvi música, bati papo, ri, dancei e tomei o meu vinho. Por volta da 1h30 eu resolvi ir dormir, porém foi uma tentativa inútil diante da barulheira que rolava na sala. Virei para cá, virei para lá e nada. Liguei para o Tommy e desabafei. O Seth também ligou perguntando o que eu estava fazendo [parece impossível me imaginar em casa no sábado à noite] e desabafei também. Às 3h, ainda não suportando o barulho, chamei meu roommate no quarto e sugeri que eles esticassem a noitada em algum bar [o que não falta são lugares próximos a minha casa] e ele simplesmente respondeu que não estava afim, mesmo diante da minha súplica em querer apenas descansar em paz.

Ainda, calmamente, falei que teríamos que conversar sobre tais eventos em casa e que festinhas como estas deveríamos impor um limite de que ela não ultrapasse à 1h [a não ser que seja uma data especial]. Ele também retrucou não concordando. Fechei a porta puta da vida. Enfim, a festinha foi até umas 6h da manhã e lá pelas 5h eu apaguei vencida pelo cansaço. Ontem acordei por volta das 11h e a casa estava nojenta. Saí com o Tommy e a Pá para almoçarmos numa cantina italiana, voltei para casa morrendo de sono e dormi o final da tarde inteiro. Meu roommate saiu da toca por volta das 19h e só se deu ao trabalho de lavar a louça. Também me evitou. Eu passei o final da noite escovando meu tapete para ver se liberava meu stress, mas enfim, ele está aqui e eu estou decidida a ter uma conversa definitiva com meu amigo, pois sei que se continuarmos morando juntos, em breve não restará ao menos a nossa amizade, que sempre foi tão ótima.

Estou triste.... problemas em casa, problemas com os homens e falta de sexo. A coisa está realmente feia para o meu lado.



Escrito por Desiree às 05h56
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