Às vezes eu ajo como uma grande idiota. Assumo. Esse é o grande problema quando falamos pelos cotovelos. Ontem me dei conta de grandes infelicidades que cometi. Palavras erradas na hora errada e para as pessoas erradas. Palavras que depois você não lembra que falou, mas fica com vergonha de ter dito.

Ontem tive um dia estafante. Emocionalmente as coisas andam desalinhadas: doença do pai; problemas com o roommate; coração desalentado; finanças corroídas e um Monte Olimpo ainda reinando imponente na bochecha, mesmo após uma erupção noturna.

Cheguei em casa com a mente tão distorcida, que resolvi apagá-la no travesseiro. Uma hora e meia de sono turbulento depois, a preguiça tentava dar cabo aos planos noturnos: a habitual festinha rock´n roll às quintas. Ainda eram 21h30, então liguei para um amigo que acabou de chegar nesta cidade e, como todos que aterrizam aqui pela primeira sem qualquer muita referência e amigos, o medo não é pequeno. Afinal é fácil ser engolido por esta cidade. Eu o conhecia apenas pela internet e resolvi dar uma força. Inicialmente até cogitei em alugar um quartinho para ele, mas aí caí na real que morar em três não é uma boa idéia quando você é alguém ranzinza e tem apenas um banheiro. Neste caso a opção é continuar com as finanças apertadas.

Achei o rapaz bem simpático, apesar de extremamente tímido, mas fui com a cara dele, tanto que convidei-o para almoçar com minha família no domingo, assim ele se sente menos deslocado e eu me sinto uma pessoa extremamente gentil e generosa. Às 23h30 deixei-o no albergue e fui encontrar as amigas de guerra. Depois mais algumas pessoas aterrizaram na minha casa e fomos em comitiva para a tal festinha.

Eu estava ansiosa em encontrar o Brian, pois fazia uma semana que não o via. Dei-me conta de que minha amiga anda tão interessada nele quanto eu. Eu já tinha desconfiado disso na semana passada e até abri meu coração dizendo que ele andava fazendo eu tremer nas bases. Ela riu e disse que ele era de fato alguém interessante.

Fiquei uns dez minutos com meus amigos e não aguentando mais, fui dar uma voltinha pela casa para ver se eu o encontrava. Lá estava ele, com minha amiga ao lado cheia de sorrisos e mensagens corporais. Nada como decorar o tal livreto O corpo fala. Você saca tudo. Está afim, não está afim, quer dar, não quer dar, quer beijar, quer tocar, quer se aproximar, quer fugir, quer ir embora, quer isso, que aquilo, não quer nada.

Juntei-me à dupla com o coração batendo descontroladamente e as pernas tremendo. Péssimo sinal. O papo já não fluía como antes, pois eu me sentia apreensiva e o fato da minha amiga estar pendurada nele me irritava. A vontade era, sem querer, derrubar a minha cerveja nela. Talvez ela quisesse o mesmo comigo.

A noite transcorreu de forma estranha. Eu não relaxei como de costume, bebi um pouco além da conta [ok, foram 3 cervejas e metade de um drink azul cedido pelo Brian] e tive vontade de sumir. Falei as bobagens de sempre, tirei risada das pessoas e tive vontade de roer as unhas. Não olhei para ninguém, pois parecia em prontidão. E o Brian lá, inatingível. E minha lá, toda oferecida atrás da sua lente de contato azul.

Às 4h eu resolvi que era hora de ir embora. Ainda, tolamente, mandei um torpedinho idiota para o Brian, que obviamente ignorou. Por que se conter é tão difícil? Eu sou tão impulsiva, tão de rompantes, tão exagerada, tão ansiosa.

E agora, para completar meu dia, que não está lá essas coisas, duas pessoas comentam que tiveram sonhos comigo e neles, eu estava chorando, sendo que uma delas não tem a menor idéia do que anda rolando na minha vida. Claro que isso me tira a mínima paz que aqui resta, já que na segunda-feira meu pai vai encarar uma cirurgia inesperada. O jeito é aguardar, tentar relaxar e acreditar que dará tudo certo.

Um turbilhão de coisas acontecendo e eu não estou dando conta. Queria que o mundo parasse para eu dar uma descidinha rápida para respirar e quem sabe, voltar com novo fôlego.



Escrito por Desiree às 12h34
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Quando começamos a ficar bem, algo externo vem e nos derruba. Eu tenho uma espinha que é quase do tamanho do meu nariz e bem no meio da bochecha. Justamente hoje, que é o dia em que eu me exponho numa pista de dança e pratico a arte do flerte.

Mesmo depois de ter dado um jeitinho nas minhas necessidades animais, meus hormônios continuam ululantes e me brindando com vulcões. Eu não tenho uma mera espinha, eu tenho o Monte Olimpo cravado ao lado do meu nariz, que a essas alturas parece nulo.

Felizmente não estou na tpm, mas mesmo assim não sei como ser uma femme fatale com o Monte Olimpo abaixo dos olhos. Esta semana fui [disfarçadamente] esnobada por Brian. Ah, homens! Fiz uma análise do que seria de mim se eu preferisse mulheres. Cheguei à conclusão que eu teria mais problemas, pois seriam duas tpm´s, duas histerias com monte olimpo, duas querendo discutir o relacionamento e ainda por cima, a falta de algo que para mim é muito importante numa relação: o lado fálico da coisa.

Sei que há maneiras de contornar isso, mas não me agrada. Acho as mulheres extremamente interessantes e envolventes, mas depois de tentar consumar uma relação com uma, eu me dei conta de que sou incapaz. Já divaguei sobre a minha paixão por pessoas, por isso acho totalmente possível eu me apaixonar por uma mulher. Talvez tenha faltado isso: paixão! Se eu me apaixonasse mesmo por uma, pode até ser que a história seria diferente e eu passaria por cima do que nos faz tão semelhantes.

Eu gosto das diferenças
homem x mulher que costumam atormentar nossas vidas. Acho que o charme é esse: a diferença. Gosto mesmo é do oposto e ter alguém parecido comigo ao meu lado, me enterraria no tédio.

Sei que não sou o ser mais fácil de conviver do planeta. Tenho manias, cutuco a unha do dedinho do pé, adoro ficar arrancando pelinhos do corpo com a pinça, uso máscara verde para o rosto, esqueço a calcinha molhada na ponta da banheira, ouço o mesmo cd por horas, canto desafinadamente, raramente termino o que eu começo, largo livro por todos os cantos da casa, encho o banheiro de revistas, guardo todos os cadernos de cultura dos jornais, sou compradora compulsiva de cremes, falo pelos cotovelos e há dias que apenas quero ficar sozinha [o que geralmente as pessoas não entendem], tenho chiliques se mexem nas minhas coisas, coleciono ingressos de cinema, gosto de ficar deitada de ponta cabeça, tenho tpm, choro atoa, varro a casa toda vez que estou sem fazer nada e outras coisinhas inconfessáveis.

E agora tento superar duas vezes o meu drama: o fato de estar de quatro por alguém que não me atrai fisicamente e o fato do homem por quem eu estou de quatro não me dar a mínima.



Escrito por Desiree às 13h50
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Um jeito Samantha de ser:

- Oi!

- Oi, pelo jeito você foi embora bem feliz da festa no sábado.

- É? Você me viu?

- Vi.

- Ah, não acredito! E não falou comigo?

- Acho que o loirinho que você estava com você não ia gostar.

- Mas eu ia.

- E você pareceu estar com pressa.

- Ahn? Ah, eu tinha que dar cabo à algumas necessidades.

- Ih! Nem venha me falar sobre toooooxicooooos.

- Ahn? Não, eu sou muito agitada para usar drogas, era sexo mesmo.



Escrito por Desiree às 13h43
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Entrei numa fase emocional de muita agitação. Nesta última semana eu não segui à risca meus planos de sair pouco, colocar a leitura em dia, terminar a sexta temporada do Sex and the City, que cada vez mais tem a ver comigo. Ontem eu parecia a Carrie, quando [na quinta temporada] foi à Califórnia com o objetivo de transar com o Big e sair da seca em que se encontrava.

Pois bem, eu estava numa fase virginal e minhas vontades iam contra meu lado romântico. Às vezes é assim, temos necessidades físicas e precisamos de um empurrãozinho para dar vazão a elas. Saí na quinta, sexta, sábado e domingo. Bebi pouco, é verdade, mas dancei bastante, falei muito, ri, ri, ri e conheci gente nova [como sempre acontece nas minhas andanças por aí].

Na sexta eu me dei conta de que ando um tanto interessada num ser que nada ter a ver com minhas idealizações. Descobri que, geralmente, elas naufragam mesmo. Há tempos que eu não me sentia tão instigada e pensando naquele alguém ao afundar minha cabeça no travesseiro. Apaixonei-me por palavras, assim como nos apaixonamos por pessoas que nos escrevem diariamente, mas que nunca vemos. Uma paixão intelectual, talvez. Porém, para mim [assim como para o resto da humanidade] não tem jeito: tem que rolar uma química. O que eu descobri, também tardiamente, é que algumas coisas ultrapassam outras facilmente. Um tanto estranho para um ser estético como eu.

Nada me instiga como palavras, como provocações verbalizadas de forma sutil... quando me dou conta, estou assim de quatro. E claro, fico desbaratinada no meu próprio desvairio. Tenho que me reinventar para quebrar meus próprios tabus. E, de repente, aqueles que tanto me interessavam não passam de "bobinhos" e suas provocações ficam somente no campo físico, que não é o que mais instiga. O que instiga é o todo, mas o todo, por vezes, parece tão inalcansável.

Enquanto isso não se resolve para mim, eu continuo nos meus flertes por aí e com a má intenção de dar cabo às minhas espinhas, que são nada mais, nada menos que meus hormônios se rebelando e pedindo para eu dar um jeito.

De todas as noitadas, a de quinta e sábado foram as mais agitadas. Na quinta-feira eu estava em polvorosa, mas fiquei presa às palavras do ser que anda me instigando. O bom nisso é que meus fantasmas dormem. No sábado eu encontrei muita gente na festinha que fui e já no final da madrugada eu resolvi dar atenção a um nova-yorkino que eu tinha conhecido na noite de quinta. Não demorou muito para eu ceder aos seus lábios frenéticos. Beijamos, rimos, falei pelos cotovelos, bebemos e então, eu resolvi leva-lo para casa. Surpreendo-me ainda quando tomo tais decisões. Mas ah, depois de algumas tentativas frustradas e o espelho denunciando escancaradamente a minha abstinência, eu resolvi deixar meus bons modos de lado e partir para o ataque. Valeu a pena, pois as horas que vieram em seguida foram ótimas.

Tudo começou por volta das 5h e às 6h45 mais ou menos, ele partia rumo a casa que o abrigava temporariamente nesta cidade. Deixei-o num táxi e voltei a tal festinha para reencontrar meus amigos. O sol já nascia e eu disfarçava as olheiras atrás do meu enorme óculos de sol. Notaram logo que a roupa era outra, mas apenas respondi com um sorriso denunciador de que eu tinha aproveitado bem aquelas horas que tive ausente.

No fundo, uma pequena frustração, porque eu queria mesmo era ver o Brian, que é o ser que me provoca com suas palavras bem colocadas, suas ironias e além de tudo, seu aparente descaso comigo. Eu não vi, mas ele me viu. E viu com o tal nova-yorkino a tiracolo.

Estava dançando e já re-integrada com meus amigos na pista, quando o celular toca. Era o tal nova-yorkino que não tinha conseguido entrar na casa onde está passando as férias, então fiz um esforço, saí à francesa e o levei de volta para a minha casa e a última coisa que fiz, foi descansar. O que me anima nos moçoilos mais jovens, é que eles tem uma energia do além. Eles não param e viram a gente do avesso. É uma disposição, uma entrega que me deixa sem fôlego, mas claro, faz eu ir até o fim.

Saímos de casa por volta do meio-dia, tomamos um café e eu o levei para a casa. Sou uma pessoa bondosa e ele estava meio perdido na cidade. Agora tenho um lugar para passar uns dias em Manhattan e algumas espinhas a menos.

O jeito é me dar esta semana de folga e tentar relaxar, porque começo a ficar tensa [ou ansiosa] demais.



Escrito por Desiree às 10h18
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