Todos já tivemos um dia a fantasia de passar um noite deitando e rolando com um de nossos ídolos. Passei a adolescência colecionando posters e babando nas fotos, imaginando histórias, romances impossíveis, beijo na boca, amor eterno com um qualquer um deles.

Cresci e a fantasia não se realizou. Nunca fui para a cama com uma pessoa famosa [é, a história aqui é de rock star mesmo] e desisti do sonho. Passei a querer os possíveis, os próximos, os que me instigavam com olho no olho, os que eu podia ouvir a voz sussurrando no meu ouvido, que eu pudesse sentir o calor dos lábios próximos ao meu rosto e que fosse totalmente possível de concretização. Meus amores platônicos ficaram apenas nas lembranças.

Num dos últimos finais de semana eu seguia rumo a um festival de rock. Uma das bandas que eu mais curto atualmente tocaria nele e eu estava em polvorosa por ouvi-los ao vivo. Descolei um trabalho junto com a banda e fui encontra-los com frio na barriga por tê-los um final de semana a tiracolo.

Finalmente chegou o grande dia e eu conheci a banda que andava freqüentando assiduamente o meu cd player. Fiquei nervosa, gaguejei e a voz falhou. Passei horas emudecida, esboçando um sorrisinho tímido de vez em quando e arriscando umas perguntas idiotas. O segundo encontro que tivemos foi mais descontraído. Na minha fantasia eu me via com o vocalista, mas eu o achava o mais inatingível, mesmo ele não sendo o mais bonito da banda. Claro, o glamour geralmente está no vocalista, que está na linha de frente. É tudo muito fantasioso.

Durante o show eu vibrava ao lado do palco, cantava, pulava, não parava de tirar fotos. Depois do show, seguimos com eles para o camarim, bebemos, rimos e lá fomos nós assistir o show da banda que tocou depois e enfim, caímos todos numa festa e de repente, os integrantes da banda pareciam amigos de longa data.

Até então eu tinha conversado com todos e muito pouco com o vocalista, que claro, era meu rock star. Eu já tinha bebido um bocado e ria à toa. Horas mais tarde, jogada no sofá e acreditando estar em outra dimensão, com uma garrafa de cerveja na mão, eu me dei conta que estava toda enroscada no meu rock -star e acabamos indo embora com ele.

Noite divertida, muitas risadas, várias descobertas e um bocado de prazeres fugazes. De manhã é que me dei conta da realidade quando acordei abraçadinha e com ele dando um monte de beijinhos no meu pescoço.

Até me senti dentro de um conto de fadas. É como se eu acordasse com o Brad Pitty. Tá, ele não é nenhum Brad Pitty, mas não deixou nada a desejar e ainda cantou minha música favorita no meu ouvido.

Passamos a manhã juntos assistindo filme de terror e nos enroscando. E aí foi hora de se despedir sem grandes dramas e voltar para a minha cama rindo e me sentindo uma adolescente. E depois, emails, fotos e lembranças divertidas [e a fantasia realizada].

Agora preciso achar novas para aproveitar que o coração tá na rede, pois esta é a melhor fase para dar vazão às nossas insanidades.


Escrito por Desiree às 20h33
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