Hoje, enquanto jantava com dois amigos, eu descobri [quase estupefata, mas não o suficiente para entrar em choque] que uma amiga está apaixonada por F. É, o F com quem eu tive um affair, mas que dei cabo nele quando eu o encontrei beijando justamente esta minha amiga. Até fiz um post a respeito num momento de muito ódio. Passou.

Como estou a poliana do bairro, eu até gostaria que rolasse uma história bacana entre eles. Sei que as chances são poucas, mas enfim, essa vida é tão estranha e tudo pode acontecer. Ok, ele não quis nada comigo e de repente vê-los namorando pode fazer eu querer gastar uns trocados numa sessão de terapia. Mas não porque eu queira ter algo com ele, acho até que nossa relação ficou fraternal demais e o tesão foi para o espaço. É que somos egoístas. É, que se um dia fomos dispensado por alguém, e de repente este alguém resolve namorar sua amiga, você tem que ter uma boa auto-estima para não começar a achar que o etzinho ali sempre foi você.

Tudo isso passaria em uma semana ou, quem sabe, um mês. Por outro lado, minha amiga ficaria feliz, faria sexo com freqüência, ficaria menos deprimida e eu me preocuparia menos com ela. Fora o humor que fica ótimo, a pele que fica linda. E ela teria um namorado, que é uma das coisas que ela mais quer.

Será que levo jeito para cupido? Para poliana eu já descobri que levo...



Escrito por Desiree às 18h01
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A semana foi turbulenta. O mês foi turbulento. O ano tem sido bem turbulento. Na quarta-feira eu tive vontade de sumir. Mudar de ares, conhecer gente nova, fazer coisas diferentes. Meu amigo R. disse que era fuga. E eu me perguntei do que eu poderia estar fugindo? Eu apenas queria relaxar e aqui está sendo impossível.

Eu insisto em driblar minha ansiedade e dar cabo nas minhas expectativas. Não sou boa nisso. Sonho. Espero. Idealizo. Claro que nada acontece. Nunca acontece. Preciso começar a pensar ao contrário. Na segunda-feira recebi um email. Daqueles emails que não dizem muito. Três linhas apenas. Como sou mais empolgada, escrevi umas trinta linhas, porém não houve resposta. Apenas hoje é que houve um sinal de vida e desanimador.

O lado bom é [ porque sempre tem um lado bom, afinal eu ando a poliana do bairro] que estou ótima! Hoje D. aparececeu. Os amigos também. Quando me dei conta, a casa estava cheia. Mal pude conversar com D., que pareceu um pouco chateado [pode ser pura pretensão minha] por eu tê-lo colocado temporariamente na geladeira. Agora sei como é. Também estou na geladeira. Abram a porta, pois quero derreter.

E decidi, amanhã eu derreto!

Antes, porém, tenho um daqueles compromissos sociais a cumprir. Quem, na santa sanidade, marca uma festa em pleno sábado às 10h? A moda agora é brunch. O duro foi escolher a roupa. Queria cortar os cabelos e não deu tempo. A franja está horrível. Fiz as unhas. Não fui à depilação e terei que apelar para o giletão, que ninguém merece, pois não terá jeito. Chegar num vestido lindo e debaixo dele tentar esconder pernas peludas, não dá! E lá vou eu sacrificar as minhas pernas queridas por algumas horas de glamour. É, porque a festa vai ser chique. Eu queria parecer recém-saída de um comercial da Níveal, mas não tem jeito, as olheiras andam insistentes.

A tiracolo, um velho pretê. Daqueles que não dá em nada. Você o conhece numa festa, conversa a noite inteira, ri junto e no final ele confessa que você foi a salvação dele, pois ele foi para lá por pura obrigação. E então o contato se resume à internet, porque tudo que tentam marcar dá errado. Passa-se um ano e esfria. Há umas semanas atrás eu o necontrei numa festa. Achei-o diferente e menos interessante. Talvez eu estivesse mais carente na época em que eu o conheci. Ou mudei. Sei lá. O jeito dele não tem nada a ver comigo.

E amanhã lá vamos nós dois bater cartão numa festa às 10h da manhã. Ele disse que vai do jeito que costuma sair. Fiquei com medo, pois na última vez que eu o encontrei, eu tive a impressão que ele estava de bata. Não gosto de batas. Eu falei que não sabia se a escolha do meu figurino estava muito dentro do padrão da festa. Ele falou "não se preocupe, você se veste muito bem". Hoje foi a segunda vez que ouvi isso. Eu não acho que me visto bem. Sou o ser mais básico da região. Talvez sejam os sapatos, se bem, que ultimamente, eu ando com os pés enfiados em tênis. Tão confortáveis e eu os neguei por tantos anos.

À noite tem show. E show daqueles imperdíveis em que todos seus amigos irão. Aí você tem quatro motivos para ir:

1) todo mundo vai e ficarão semanas comentando e fazendo você morrer de inveja por não ter ido
2) as pessoas mais bonitas e interessantes reunidas por metro quadrado
3) o melhor evento da noite de sábado
4) você ama as bandas

Ultimamente não dá para dispensar grandes eventos, pois se você deixa de ir em um, você fica algum tempo com a sensação de que esteve passeando em outro planeta, já que parece ser a única pessoa que não foi. Muita gente vai apenas por ir. O problema é a grana. Estou na fase de comprar tomates no cartão de crédito.

Acho que o sábado promete... e hora de estender roupa, pois essa vida de solteira e dura é isso. Você não sai na sexta à noite porque tem uma pilha de roupas para lavar e já está sem calcinhas para vestir.. O jeito é começar a lavá-las no banheiro e pendurá-las no vitrô. Se elas ainda fossem coloridas. Só uso calcinha preta.

E na semana que vem eu começo um mega checkup... decidi que em 2006 eu quero abalar estruturas humanas. Estou cada vez menos boazinha.



Escrito por Desiree às 16h42
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Estou apaixonada. Talvez seja daquelas paixões arrasadoras, que vêm como um furacão e vão embora sem nem percebermos. Não importa. O que é importa é que estou apaixonada. Borboletas se mexem na minha barriga. Aquele friozinho que eu não sabia mais o que era, voltei a sentir. Apaixonei-me por uma das pessoas mais fascinantes que conheci nos últimos tempos.

R. é exatamente meu número, para simplificar. Quase a mesma idade que eu. Estilo moderno e usa all-star, cabelos desalinhados, óculos de aro preto, nariz afilado. É descolado, divertido, sarcástico, inteligente, tem um gosto musical invejável e me virou do avesso como poucos. Separado, tem filho, paizão e foi uma das poucas pessoas que conheci que eu tive aquela sensação incrível de liberdade. É o que é e ponto. Gosta do que gosta e ponto. Não faz média. Não tenta ser nada. Já é bastante. Posso ser homem, posso ser mulher. Fez cair por terra teorias furadas que eu carregava comigo.

É viciado em café e cigarros. Lê compulsivamente. Adora cinema. Gosta de pessoas. É individualista. Mostrou-me um monte de coisas novas, fez eu ver o mundo sob outro ponto de vista e fez eu me sentir à vontade em ser eu o tempo inteiro. Falei bobagens sem medo, fiz piadas grotescas, que mesmo ele não achando graça, eu não me senti nenhum pouco mal por contá-las. Passamos a madrugada tirando fotos, ouvindo música e conversando. Como poucas vezes acontece. Caminhadas intermináveis. Gostos parecidos. Conversa incrivelmente fluída. Silêncio agradável.

Assim como eu, não gosta de doces e não achou um absurdo eu não gostar de sorvete, pois também não faz a menor questão. Não curte chocolates e acha vinho indispensável. Adora a noite. Gosta de pessoas. É observador. É crítico sem ser. Ficou abismado por eu não ter um vibrador. Fascinou-se pelo meu jeito "pidão" na cama, pois disse que são poucas que ousam. E me proporcionou prazer como poucos.

Nada me fascina tanto quanto tesão físico e intelectual. Foi esse tesão que fez eu viajar 600km numa noite apenas para revê-lo e dois dias depois, fazer a mesma viagem para dar início a uma semana bem puxada.

Fez T. ser apenas uma doce lembrança e parecer ainda tão infantil. Coincidentemente, depois de seis meses, T. me ligou na sexta enquanto a mala pousava ao meu lado. Queria saber como eu estava. Apenas isso. Não consigo mais lidar com pessoas que tentam disfarçar suas emoções.

- Oi.

- Oi (estupefata). Que surpresa.

A voz impassível do outro lado.

- Liguei para saber como você está.

- Que bom, tenho saudades de você.

Silêncio.

- Como você está?

Não precisava ter ligado apenas para isso. Se quer saber como estou, me procure esparramada no mundo virtual. Vai saber exatamente como estou ao ler meu blog, ver meu fotolog e orkut. Liga e liga exatamente no dia que você tirou pó das suas asas e resolveu voar de novo. Liga para fazer você tremer, para você derrubar algumas lágrimas e trazê-lo à tona.

Mentiria se dissesse que a ligação não mexeu comigo. Mexeu, mas pela primeira vez, após me recompor pela surpresa [afinal foram seis meses de silêncio], voltei à excitação da viagem que rolaria dali a algumas horas. Foi a primeira vez em seis meses que eu não tive vontade de tê-lo de volta. E depois deste final de semana, ele se tornou tão infantil para mim em alguns aspectos, que não se encaixa mais nos meus anseios.

A chatice é que depois de alguém tão must passar na sua vida de forma avassaladora, você sabe que se tornará mais exigente. Que J. não tem mais espaço na sua vida, pois nos quesitos necessários para despertar o seu interesse ele está em falta. D. já nunca esteve mesmo muito dentro do perfil desejado. É inteligente, divertido, mas metódico e contido demais.

Curiosamente os americanos [que coincidentemente apareceram em profusão na minha vida em 2005] têm se mostrado muito além das minhas expectativas medíocres. Acho que preciso olhar mais para o oeste, porque ao meu redor eu estou fora dos anseios alheios e eles estão fora dos meus.

E agora é curtir essa sensação boa até que ela seja esmiuçada pelo tempo e então, restem lembranças deliciosas e capazes de me excitar por si só [e de todas as maneiras]. Nada como alguém que te chacoalhe sem querer e te dê um pouco da vida que estava lhe faltando.



Escrito por Desiree às 06h02
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