Fazemos charme, damos uma de difícil, mas no fundo estamos loucas para nos jogarmos. R reapareceu com um email gostoso para informar que:

- sim, ele quer me ver de novo
- sim, ele quer vir passar uns dias na minha casa

E sim, eu estou fazendo charme para responder. Afinal fiquei mais de uma semana esperando sinal de vida do sujeito. Claro que já respondi, mas ele está lá na caixa de rascunho esperando meu charme acabar.



Escrito por Desiree às 08h09
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Hoje tive uma vontade imensa de pedir demissão. Meu trabalho está cada vez mais sacal. Ouço elogios, mas depois tenho que brigar para convencer as pessoas com quem eu trabalho que eu tenho uma vida que vai além de lá. Eles não entendem. Acham que preciso viver em função de... e não nasci para essa dedicação total. Chorei.

Hoje R mandou um email. É sempre assim. Você desencana e eles aparecem. Eu não consigo parar de ouvir Nine Inch Nails. O som pesado misturado com a ótima viagem de sábado faz eu me desligar

Escrito por Desiree às 14h24
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Domingo, mesmo depois da extasiante noite anterior, eu não consegui ficar em casa de pernas para o ar com meu Paul Auster no colo,vendo o dia passar pela janela. Fui almoçar com amigos num bairro japonês, fizemos comprinhas e depois fomos ver uma dupla alemã tocar. Sono! O show deu muito sono, mas também depois de uma noite como a de sábado, é impossível não sucumbir ao sono com uma banda mediana.

A noite caiu e eu voltei para casa, onde fiquei colocando umas bagunças em ordem e logo já corri para fazer uma produção basica, desenterrar umas roupas do armário e ir para uma outra festinha. Como diriam por aí: final de semana com 100% de aproveitamento.

***

Hoje mandei um email para R. Tive uma paixão efêmera e agora guardo apenas uma deliciosa lembranças, mas sem sentir aquele friozinho na barriga. Estou cada vez mais convencida de que o que importa é a intensidade da relação do que a relação em si. Costumamos nos prender ao tempo. Eu tive alguns namoros e não foi o mais longo que foi o mais intenso. Não foi o mais intenso que foi o melhor ou o pior. Hoje li uma matéria, em que cientistas afirmam que a paixão dura exatamente um ano. E depois disso, o que é? É sempre amor? Ou pode ser aquela maldita dependência [ou mero costume] que criamos pelo outro? Eu amei duas vezes. Já me apaixonar, eu mal consigo contar. Vivo apaixonada.

Eu já namorei por sete anos, depois por dois, depois por três... cada namoro teve um formato, uma dinâmica e uma intensidade diferente. Uma das relações que mais me marcou foi uma que durou exatamente seis dias, sendo que o primeiro beijo rolou no terceiro dia após nos conhecermos. A segunda relação mais intensa foi meu namoro que durou quase três anos, em que eu cheguei a perder parte da minha sanidade e fiquei a um fio da loucura.

Foi um namoro que tinha altos e baixos constante e meu lado racional gritava para eu dar fim àquela história que tanto me fazia mal. Mas sou insistente. Fui até o fim. Ah, talvez eu seja mesmo é masoquista. Quem não curte levar uns tapinhas? Minha relação não era de tapas e beijos, mas de agressões verbais, lágrimas desnecessárias e por fim, ganhei uma bela gastrite.

Não posso afirmar que só eu me desgastei, mas fiz o máximo para T ter uma pessoa bacana ao lado. Dei de mim muito mais do que sempre dei a alguém na vida. Nunca fui tão dedicada, tão paciente, tão amiga. E ainda o namoro acabou porque eu fui a grossa no final da história.

Enfim... chateação a parte, hoje eu chego à conclusão que mereço mais. Não que ele seja pouco. Não é. É uma pessoa e tanto. Especial. Só não está pronto para ter uma relação comigo. Pretensão a parte, eu me sinto a alguns anos luz dele. Ele vai me alcançar, mas vai demorar um pouquinho. Enquanto isso... próximo!!

Por isso R apareceu no momento certo. Desde que T me mandou passear, eu me meti numa busca desenfreada por alguém que apaziguasse a minha dor. Só apareceram tampões. Ninguém conseguiu de fato fazer eu coloca-lo de lado. Acho mesmo que eu estava ligada num amor platônico com ele [assim disse um outro amigo]. Essas emoções, boas ou ruins, servem para fazer a gente se sentir viva. E eu insisto, insisto, insisto... e sofro, sofro, sofro.

R foi a redenção. Uma paixão que durou uma semana. Voltei para cá cheia de desejos, mas ah, eles já quasem não existem. Não que R não seja o que eu quero. Ele é exatamente o que eu quero, mas não dá. Hora errada. Um quer uma coisa, o outro quer outra. Então para que insistir, não?

Agora o vazio é porque eu adoro ter alguém em quem pensar quando coloco a cabeça no travesseiro. Ontem pensei no vibrador que eu deveria comprar, pois para noites vazias, ele pode ser uma grande companhia. E ser balzaquiana não é fácil.

Sábado fui num casamento, no próximo sábado irei em outro. Eu queria jurar amor eterno a alguém, mas sinto que nasci para viver muitas histórias e eu tremeria na base se tivesse que fazer tal juramente, afinal eu mudo tanto de idéia.



Escrito por Desiree às 16h50
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Ontem o dia foi corrido como eu já esperava. Pela manhã me dei conta de que o vestido que eu separei para a festa não era adequado. Estava chovendo e frio. A festa seria num sítio no alto da serra, que já é bem mais frio do que aqui embaixo.

Um amigo, que há muito eu não via, veio me buscar. Insisti no vestido, mas troquei o sapato e optei por sandálias de plásticos e plataforma, assim não corria o risco de ver meu salto afundado na lama. Escolha acertada.

Lá fomos nós. Chegamos e o local já estava lotado. Ao meio-dia nos reunimos num jardim com bancos brancos, uma chuva muito fina e pessoas bem vestidas, mas tentando driblar seus saltos que insistiam em penetrar a terra molhada.

A festa era um a casamento do irmão de uma grande amiga. A cerimônia foi bem simples e sem grandes emoções. Logo eu que sempre me emociono em casamentos e me afundo em lágrimas. Dessa vez não soltei uma sequer. Até fiquei ansiosa para que terminasse logo, pois aquela chuva fina e minha fome estavam atrapalhando minha concentração.

Dançamos bastante. Tomei uma garrafa de champagne e belisquei um monte de salgadinhos deliciosos, enquanto me distraía com conversas fugazes. No final, um café para reanimar e só às 18h20 é que cheguei em casa, já bem sonolenta e preocupada em driblar o sono, pois uma das noites mais esperada do ano seria dali a algumas horas.

Tudo muito organizado e muita gente bonita. Bebi pouco, dancei bastante e me emocionei além da conta. Show da vida! Noite perfeita e com amigos perfeitos. Noite em que eu não precisei de mais nada além deles. Não pensei sequer nos meus amores desfeitos, na minha paixão não concretizada. Eu era só felicidade.

Alguns amigos me deixaram bodeada, mas nada como disfarçar e sumir na multidão. Eu não queria falar e eu só queria fechar os olhos e sentir aquela vibe maravilhosa que estava rolando. No último show a minha cabeça estava explodindo de dor, então não resisti em deixar uma pílula da felicidade [que eu nem estava precisando, mas sabia que disfarçaria meu cansaço e deixaria minha sensibilidade ainda mais à flor da pele] escorregar pela minha garganta.

Não demorou muito a fazer efeito. Primeiro bate aquela sensação de desconforto, que me deixa irritada e depois vem aquela sensação indescrítivel, que é capaz de fazer com que qualquer mazela que a aflige desaparecer. Mente vazia, sorriso nos lábios, boca calada e então aquela vontade louca de dançar, de deslizar as mãos pelo corpo e de sentir cada nota musical atravessar o ouvido e ficar. É tão mágico e não tô nem aí que seja artificial, porque para mim não é, eu só fico mais feliz [e disposta] do que já estou.

Se a noite estava mágica, ela ficou ainda mais. Saí de lá flutuante... em casa, ainda um pouco derretida, entrei no chuveiro e lá fiquei com a sensação da água penetrando nos meus poros, para então afundar a cabeça no travesseiro e dormir querendo mais.



Escrito por Desiree às 07h02
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