E 2005 foi um ano musical. Muitos shows bons e o último que vi fechou o ano com chave de ouro: Nine Inch Nails, porque foi perfeito. E eu que já era taradinha pelo Trent com cabelos, pirei com ele sem os cabelos!! Vontade de fingir que não cresci [tenho essa mania] e me jogar no palco só para dar uma agarradinha, mas me controlei e bem. Eta noite insandecida!

Hoje estava aqui, na minha convalescência, fazendo a listinha do ano [não necessariamente lançamentos, mas o que me moveu musicalmente].

A banda mais divertida foi Clap your hands say yeah!; o cd que mais tocou aqui em casa foi Silent Arm Remixed do Bloc Party; a descoberta para horas reflexivas foi The sea and cake; With Teeth do NIN tá tocando repetidamente durante o expediente; Black Rebel Motorcycle Club com Howl foi trilha constante do jantar; Tournament of Hearts do Constantines, Plan do Death Cab for Cutie e Leaders of the free world de Fionna Apple [que está irresistível] me acompanhou durante meus momentos Vogue [leia-se: jogada no sofá vendo revistas de moda].

A banda que se superou com seu cd novo, foi Franz Ferdinand. Me deleitei exaustivamente com os lançamentos dos frequentadores mais antigos daqui de casa: o novo do Depeche Mode é ótimo; Chemical Brothers sempre me cativa e faz eu chacoalhar; Flaming Lips também divertiu as minhas horas vagas; Pretty in Black do The Raveonettes foi a trilha sonora dos meus sonhos.

E as descobertas desta madrugada foram: supre X, Hard-fi e Dirty Little Secret.

Isso apenas para citar os que eu mais ouvi... mas ahhh, 2005 foi um ano tão musical, tão ritmíco, tão desconcertante, cheio de estresses, mas também repleto de extase.


Escrito por Desiree às 19h19
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Uma das minhas maiores diversões é ler alguns spams que recebo. O guia do orgasmo feminino, increase your sexual desire e increase your penis [como se eu tivesse um] são os melhores.

Fico aqui pensando com meus caracóis quem são as pessoas que vão atrás dessa ajuda toda fornecida a poucas tecladas [e alguns reais ou doletas]. No guia do orgasmo feminino é possível aumentar o penis em até 5cm e até desentortá-lo, também ajuda a controlar a ejaculação precoce. O Robson [tá lá no site] conseguiu 4,5cm a mais em 2 meses! O Eric tinha vergonha de tomar banho na academia, mas agora se sente muito mais seguro com seus 4cm a mais e o Jorge Paes virou um homem de ferro na cama [será que procuramos homens de ferro?].

O labortário Pfizer [tá lá no site também] disse que 70% das mulheres [de quantas mulheres?] estão insatisfeitas com o tamanho e com o desempenho sexual dos parceiros. É, até eu já reclamei um bocadinho, porque os homens andam "coelhinhos" demais, pois é uma pressa que chega a me comover. Fico imaginando essa mulherada toda insatisfeita aí! É quase motivo para lançar um abaixo-assinado contra os "coelhinhos", porque eles são os piores.

É, eles acham que funcionamos com dispositivos: pega assim, coloca ali, toca aqui e manda ver por alguns minutos e pronto! E ainda fala "quero ver você gozar". Hmmm... pode ser amanhã? Porque desse jeito não vai dar não. Que pressa é essa, meu filho? E agora em diante, se estiver insatisfeita, não titubeie, dê a ele o link do guia do orgasmo feminino!!

Quanto ao problema de tamanho! Aaaahhh... desculpem-me os menos afortunados, mas tamanho é realmente um problema. Eu passei uma vez por isso e foi péssimo. Claro que ele pode compensar de outra maneira, mas comigo não rolou. No meu caso eu me senti totalmente na mão... faltou algo e eu assumo. Neste caso eu nem vou recomendar o guia, se eu ver que vale a pena, eu dou o guia e ajudo a ganhar os tais 4cm... ai ai ai... eu e minhas futilidades! Vou fazer o que?

Escrito por Desiree às 18h38
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Estou detonada por uma gripe que me deixou de cama desde ontem. Há tempos que eu não passava o dia dormindo. Sinto-me descansada, mas antes disso passei uma horinha de terror no hospital, pois uma dor terrível nas costas me deixou preocupada. Era uma pequena lordose, que sei lá porque, resolveu aparecer bem em meio a minha gripe.

- Está vendo como está? - apontando a radiografia tirada das minhas costas - Usa muito salto alto?

- Usei, hoje só uso tênis e sapato sem salto.

- Que bom, porque a lordose só tende a piorar com salto alto.

Olhei para meu amigo que me acompanhava e disse:

- Noooooossa! Se a minha lordose está desse jeito, imagina a do Iggy Pop!

O médico não entendeu as risadas que seguiram ao meu comentário.

Hora de empinar menos a bunda... rebolar por enquanto, nem pensar!


Escrito por Desiree às 18h27
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Todos já tivemos um dia a fantasia de passar um noite deitando e rolando com um de nossos ídolos. Passei a adolescência colecionando posters e babando nas fotos, imaginando histórias, romances impossíveis, beijo na boca, amor eterno com um qualquer um deles.

Cresci e a fantasia não se realizou. Nunca sequer beijei uma pessoa famosa [é, a história aqui é de rock star mesmo] e desisti da fantasia. Passei a querer os possíveis, os próximos, os que me instigavam com olho no olho, os que eu podia ouvir a voz sussurrando no meu ouvido, que eu pudesse sentir o calor dos lábios próximos ao meu rosto e que fosse totalmente possível de concretização. Meus amores platônicos ficaram apenas nas lembranças.

Num dos últimos finais de semana eu seguia rumo a um festival de rock. Uma das bandas que eu mais curto atualmente tocaria nele e eu estava em polvorosa por ouvi-los ao vivo. Descolei um trabalho junto com a banda e fui encontra-los com frio na barriga por tê-los um final de semana a tiracolo.

Finalmente chegou o grande dia e eu conheci a banda que andava freqüentando assiduamente o meu cd player. Fiquei nervosa, gaguejei e a voz falhou. Passei horas emudecida, esboçando um sorrisinho tímido de vez em quando e arriscando umas perguntas idiotas. O segundo encontro que tivemos foi mais descontraído. Na minha fantasia eu me via com o vocalista, mas eu o achava o mais inatingível, mesmo ele não sendo o mais bonito da banda. Claro, o glamour geralmente está no vocalista, que está na linha de frente. É tudo muito fantasioso.

Durante o show eu vibrava ao lado do palco, cantava, pulava, não parava de tirar fotos. Depois do show, seguimos com eles para o camarim, bebemos, rimos e lá fomos nós assistir o show da banda que tocou depois e enfim, caímos todos numa festa e de repente, os integrantes da banda pareciam amigos de longa data.

Até então eu tinha conversado com todos e muito pouco com o vocalista, que claro, era meu rock star. Eu já tinha bebido um bocado e ria à toa. Horas mais tarde, jogada no sofá e acreditando estar em outra dimensão, com uma garrafa de cerveja na mão, eu me dei conta que estava toda enroscada no meu rock -star e acabamos indo embora com ele.

Noite divertida, muitas risadas, várias descobertas e um bocado de prazeres fugazes. De manhã é que me dei conta da realidade quando acordei abraçadinha e com ele dando um monte de beijinhos no meu pescoço.

Até me senti dentro de um conto de fadas. É como se eu acordasse com o Brad Pitty. Tá, ele não é nenhum Brad Pitty, mas não deixou nada a desejar e ainda cantou minha música favorita no meu ouvido.

Passamos a manhã juntos assistindo filme de terror e nos enroscando. E aí foi hora de se despedir sem grandes dramas e voltar para a minha cama rindo e me sentindo uma adolescente. E depois, emails, fotos e lembranças divertidas [e a fantasia realizada] e algumas dores de cotovelo alheia.

Agora preciso achar novas para aproveitar que o coração tá na rede, pois esta é a melhor fase para dar vazão às nossas insanidades.

Escrito por Desiree às 10h04
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Hoje aconteceu um episódio engraçado. Como a mulher oscila no humor quando há homem na jogada. Tudo pode estar ótimo, mas se aquele telefone prometido não rolar, ferrou.... manda qualquer bom humor para o espaço.

Há tempos atrás, meu ex-namorado sumiu. Disse que voltaria de viagem num sábado e depois disso não atendeu mais o telefone. Eu, que estava ótima, comecei a entrar em pleno declínio. À noite bati o carro, bebi além da conta e no domingo eu passei muito mal [e nem foi por causa da bebedeira, estava doente por estar me sentindo "mal amada"].

Claro que tudo piorou quando rumei ao shopping para tentar digerir algo, pois há quase 24 horas nada descia, tamanha era minha indigestão com o sujeito. Lá estava eu na tentativa de melhorar o humor quando ouço me chamarem:

- De!

- Olá, tudo bem? - quase com uma palidez mórbida e olheiras profundas

- Eu to, mas você não parece nada bem....

- É, to meio mal de estômago. - porque obviamente eu jamais assumiria que estava mal por causa de um homem

- Ah, tenho uma coisa para te dizer: toma cuidado com o seu namorado.

As pernas cambalearam, a pressão caiu e me segurei no pilar ao lado.

- Ahn?

- É, vi ele ontem numa festa com outra a tiracolo.

Como ele ousou me contar assim de sopetão? Não tive tempo nem de me preparar para a notícia de que estava sendo traída. Tá, eu vou contar: nesta época estávamos em começo de namoro e ele vivia tentando boicotar. Quando eu o pedi em namoro, ele disse que aceitaria, mas desde que fosse um relacionamento aberto. Pensei, pensei, pensei e resolvi topar, mas deixando claro que as regras valiam para os dois.

Eu estava de quatro por ele e obviamente ele foi o único a tirar proveito do tal acordo, porque eu me comportava inacreditavelmente bem, pois nem reparava mais nos rapazes que, na época, resolveram me testar. É, porque é sempre assim. Você começa a namorar e todo mundo passa a te querer. Uma vez vi uma explicação [confesso, foi na Capricho] plausível: quando namoramos, estamos felizes, portanto mais atraentes. Mas isso nem vem ao caso. O caso era que eu já não estava mais preparada para o tal relacionamento aberto e queria esgana-lo.

Despedi-me do meu amigo antes que ele soltasse mais detalhes do que viu, pois eu é que não queria saber. Minha curiosidade não chega a tal ponto. Continuei passando mal e não consegui comer. Na segunda-feira eu estava praticamente de cama. E claro, ele deu as caras e me ligou como se nada tivesse acontecido. Não consegui manter a pose, tirei todo depósito de gelo dentro de mim e joguei em cima da cabeça dele. Foi uma semana sem se falar, porque eu não queria vê-lo na minha frente.

No domingo, lá estava eu dançando com amigos e tentando parecer bem quando ele me liga. Meia-hora depois aparece e eu começo o meu repertório de mentiras [tsc, tsc, tsc... mas eu precisava disso]:

- Você sabe o que é ver quem você gosta beijando outra pessoa?

Ele nem sequer se deu ao trabalho de se mostrar surpreso. Esboçou um sorriso meia-boca e perguntou:

- Mas o que é um beijo? Eu gosto é de você.

- Tá bom, no dia que você me ver beijando outro cara, talvez você saiba do que estou falando. E fiquei tão mal, que saí daqui alterada e bati o carro. - e nunca tive coragem de desmentir

Burra do jeito que sou, não demorou muito para eu voltar a me jogar nos braços dele. De qualquer forma, ele não tinha me traído, afinal em nenhum momento ele prometeu "serei fiel a você". Encurtando a história, ele começou a ficar de quatro e quando se deu conta de que eu poderia ficar com outras pessoas, me chamou para uma conversinha pé de ouvido e disse:

- Acho que relacionamentos abertos não funcionam. Vamos fechar essa história?

Aliviada, feliz e aceitei de bom grado, até porque a essas alturas eu andava pensando seriamente de pular fora do barquinho, porque não estava dando conta da minha insegurança cheia de fundamentos.

E nem era essa história que eu ia contar. Tentei apenas mostrar o quanto os homens podem nos deixar maluca [e isso nem é novidade... as pessoas enlouquecem as outras o tempo inteiro]. Minha amiga está apaixonada por um cara. O cara parece também afim dela. Hoje armaram uma cervejinha, porém a minha amiga estava sem celular e propôs que ele ligasse no meu para combinarem de se ver mais tarde. Viemos para a minha casa. Ela ficou roendo as unhas de ansiedade com a ligação dele. Pulou da cama quando o despertador do meu remédio tocou e ficou decepcionadíssima porque não era ele.

O humor foi piorando. Ela começou a praguejar. Disse que não queria mais nada. Isso e aquilo. Tudo uma grande mentira, claro! Aí um amigo ligou, outra amiga passou aqui para me pegar e quando fui dar tchau à esta minha amiga, que estava de plantão esperando a tal ligação, vociferou para cima de mim, pois ninguém a tinha convidado para o jantar, ela sempre faz jantares para as pessoas, mas parece que agora ninguém gostava dela. Ficou brava mesmo!

Eu, que ando numa fase pavio curto, apenas disse:

- Você está puta porque ele não ligou e eu não tenho nada a ver com isso, assim como meus amigos não tem nada a ver com isso. Eles não precisam te chamar para tudo que me chamam e isso não quer dizer que eles não gostem de você. Você está sendo infantil. Tchau, que eu estou atrasada e se ele ligar, eu peço para ele ligar aqui.

E fui... meia hora depois o sujeito liga e eu dou o telefone de casa. Quinze minutos depois, ela liga pedindo desculpas e que eu tinha toda razão. Claro! E aí eu fiquei rindo sozinha do quanto somos vulneráveis e, ah, bobas. Grandes bobocas que se deixam transformar em marionetes. Eu já fui uma e jurei [e sempre quebro minhas promessas, pois não sou muito boa nisso] que não serei mais.

E ainda fazendo um adendo. Estávamos no carro e ela solta essa:

- Ah, eu vou me fazer de difícil.

- Difícil do que?

- Não quero que role na primeira vez, pois não quero que ele ache que eu sou uma piranha.

Tsc, tsc, tsc... tá vendo como eu tinha razão no post anterior? Eu concordo que quando as coisas rolam devagar, elas são mais gostosas e instigantes. Se eu me apaixono por alguém [antes de ter rolado alguma coisa], eu também prefiro que as coisas aconteçam devagar, mas achar que alguém é piranha [e não tinha outra palavrinha melhor? essa a gente usava na minha época de colégio] só porque deixou tudo acontecer na primeira vez, é ser machista demais [mesmo que seja mulher].


Escrito por Desiree às 16h37
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A vida é irônica e todo mundo sabe. Eu gosto do sarcasmo que permeia nosso dia-a-dia. Nunca gostei do "correto demais", pois é se moldar em princípios que considero falidos que faz com que aos poucos a gente vá se afastando de si mesmo ao ponto de não saber mais quem é.

Eu até o final da adolescência tentava o tempo inteiro me moldar no que falavam que era o certo. Sempre ouvia a frase "o que os vizinhos vão achar disso?" da boca dos meus pais. Hoje eles se calaram e acho até que admiram no que eu me tornei [e não sou das figuras mais fáceis].

Sem qualquer prepotência eu não acho que sou uma pessoa comum, mas ralei muito para chegar aqui. Não no topo, porque dele estou longe, mas estou cada vez mais próxima de mim mesma.

Eu [geralmente] faço o que eu quero, na hora que eu quero e quando eu quero. Sou recriminada por uns por ser assim, alguns [poucos, por favor] chegam a ter medo de mim. Isso soa tão estranho, porque sou afável, amiga e divertida. Falo o que eu quero e se sei que quem está me ouvindo não quer ouvir algo, eu simplesmente não falo, mas evito mentir e criar ilusões. Hoje isso aconteceu logo pela manhã:

- O que você achou desta roupa que estou vestindo?

- Sinceramente? Não gosto desta sua calça.

Ela me olhou desapontada e balbuciou:

- É, eu sei. - mas claro que não sabia, pois eu nunca comentei - mas eu gosto dela.


Obviamente ela trocou a calça em seguida.

Curiosamente os gays são os que menos me julgam. As amigas acham que sou solta demais. Os amigos acham que sirvo mesmo é para ser amiga, nada mais. Apenas porque dou vazão às minhas vontades, mas eu me apaixono, eu me entrego, eu amo, respeito e sou a mais dedicada num relacionamento [claro que isso não quer dizer que eu abra mão do meu espaço, porque isso eu me nego a fazer], mas se estou sozinha e estou numa fase em que quero mesmo é ficar sozinha por que eu tenho que ficar comportadinha em casa? Por que, como menina, eu não posso em divertir?

Isso pode soar tão retrógrado, mas sim, as pessoas ainda pensam assim; sim, os homens [na maioria] são grandes machistas; sim, eu ando de saco cheio de tantas regras besta; sim, eu não quero um casamento de propaganda de margarina; sim, eu sou livre; sim, eu pago minhas contas; sim, eu declaro imposto de renda; sim, eu mantenho política da boa vizinhança; sim, eu ando achando muita gente chata; sim, eu não tenho paciência com pessoas carentes demais; sim, eu não gosto que me bajulem [só um pouco e de vez em quando]; sim, eu sou louca e é isso que faz eu manter minha sanidade mental e meu equilíbrio [por mais que você diga que isso é paradoxal demais]; sim, eu tenho alguns preconceitos que eu tento me livrar; sim, eu tenho minhas inseguranças; sim, eu estou sem dinheiro para fazer terapia; sim, meu coração está vazio e ótimo; sim, eu amo meus amigos e sim, eu estou feliz [mesmo estando fanha e com a sensação de que um caminhã passou por cima de mim hoje].

E talvez só quem me conheça, poderá entender um pouco este post... ou não.


Escrito por Desiree às 12h42
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Como de praxe, resolvi fazer um balanço de 2005 e cheguei à conclusão de que foi uma montanha-russa com loopings inacreditáveis, alguns excitantes e outros que foram puro momento de pânico.

Sobrevivi [como sempre, aliás]. No final constatei que estou fechando o ano com o coração vazio. Fazia tempo que isso não acontecia, pois namorei por alguns anos e a paixão durou mesmo após o fim e sempre fui emendando relações, o que fez meu querido coração não ter tempo para respirar. Talvez neste momento ele esteja deitado numa rede de perninhas para o ar. Coitado, ele também precisa de folga.

Comecei 2005 esmigalhada pelo fim de um namoro que eu apostei muito [e alto]. Lembro-me bem da virada, em que resolvi abrir as minhas portas da percepção, pular muitas ondas [pois as sete do ano anterior não deu conta dos pedidos], tirei minhas roupas no mar para tentar me livrar daquela mágoa que me deixava arrasada, virei uma garrafa de champagne, fiquei louca, voei e voltei para casa com um loiro a tiracolo, que fez eu me sentir um pouco mais viva.

Felizmente não houve bode pós-reveillon, que era um risco que eu corria. Um mês depois reatei o namoro com o ex e ficamos por algum tempo [muito pouco] em lua-de-mel. Nessa época a pele ficou ótima, o humor ficou nas alturas, o coração em ordem e na cama as coisas estavam razoáveis [já tinham sido melhores e cheguei a ser acusada de estar com ele apenas por causa do sexo... dahn?].

O fim chegou e de forma traumática. Apesar de ficar na rua da amargura, chorar compulsivamente, ouvir músicas tristes, cogitar suicídio, eu não fiquei trancada no quarto e foi aí que minhas aventuras e desventuras começaram.

Uma noite lá estava eu deprimida e cansada deste estado apático, então resolvi sair da concha, porque percebi que era melhor não dar vazão ao meu sofrimento. Tentei mata-lo a marteladas para não sobrar vestígios. Encontrei amigos, dancei e voltei para casa com JC a tiracolo. Dei aquela aliviada, mas que no dia seguinte transformou-se apenas em uma história engraçada. Ele ligou algumas vezes, quis me ver de novo, mas eu não estava afim. O cabelo dele me assustava!

Essa foi a abertura que eu necessitava para cair na gandaia, mas todas as investidas depois dessa naufragaram. Mantive a pose. Teve JP [como tiveram J´s na minha vida este ano] que sofria de ejaculação precoce; depois V que na hora H resolveu que era melhor não arriscar a amizade; DJ que ficou em cima, mas não fez absolutamente nada; JB que incentivou minhas investidas iniciais e depois me deletou sem ao menos ter feito algo comigo. Eu tinha entrado numa vida assexuada.

Cogitei que sexo era algo fora de moda e que a vida humana não corria riscos de extinção graças aos avanços da medicina e ao banco de esperma lotado. Ledo engano. Investidas em pessoas erradas.

E eu precisando extravasar. Numa noite reencontrei TH, um nova-yorkino quase meu número [se não fossem os sapatos caramelos de bico quadrado, eu casava] que mostrou que ainda haviam estrelas no céu, fez meus olhinhos virarem e ganhou nota dez. Talvez eu estava generosa demais, mas foi tudo muito bem feito.

Dei uma acalmada, tive umas recaídas pelo ex [e confesso: liguei e mandei emails] e deixei que a minha habilidade manual me satisfizesse por algum tempo.

Durou pouco... e já quase fechando o ano, eu realizei uma fantasia infantil e terminei uma noite com um rock-star. Tive uma noite maluca e inesquecível com um rock-star! Quem diria?! Antes disso o cd da banda não saía do meu cd-player, cantava todas as músicas, sonhava em ver um show ao vivo e de repente, lá estava eu entregue numa noite incomum [no meu mundinho, claro] gastando meu inglês exdrúxulo.

Alguns meses depois tive duas tentativas frustradas com F, que não rolou satisfatoriamente e então optamos [quer dizer, não tive muita escolha] por mudar o nível da relação para um [amizade]. E aí surgiu R, que me deixou de quatro, revirou minha cabeça e colocou um fim em qualquer resquício do ex que ainda restava em mim [tinha chorado pelo ex dois dias antes de R cruzar o meu caminho].

2005 foi um ano com algumas boas aventuras e ótimas histórias, que não teriam acontecido se meu namoro não tivesse acabado. Aí penso o que valeria mais a pena: continuar num relacionamento que não tinha muito para dar certo, mas ficar com o coração preenchido ou viver várias histórias [boas e ruins], ter experiências inusitadas e terminar o ano com o coração deitadinho numa rede, de óculos escuros e tomando água de coco?


Escrito por Desiree às 11h33
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Estava há pouco lendo um blog que me remeteu a uma velha história. Há pessoas que conhecemos de forma totalmente descomprometida e foi assim que conheci o Seth. No início achei que ele era gay, então me senti super à vontade. Convidei-o várias vezes para sair, até que um sábado à noite ele resolveu mostrar a cara.

É, até então eu só tinha visto foto. Foi um desses encontros que começam na internet. Tínhamos vários interesses em comum, ríamos juntos e só faltava consumar esta amizade. À primeira vista eu o achei muito mais interessante do que tinha achado até então e fiquei na dúvida quanto à minha conclusão preciptada. Seth era gay? Eu já não sabia.

Depois disso nossa amizade estreitou, até o dia que eu quase coloquei um fim nela, ops, ele quase colocou um fim nela e esse fim só não aconteceu porque fui insistente. E foi minha insistência que mais valeu a pena.

O que rolou foi que um dia ele saiu comigo e com meus amigos. Fomos dançar. Eu já solta devido as cervejinhas tomada, quando me dei conta estava me derretendo toda por ele. E então rolou o primeiro beijo, e então rolou a primeira confissão [por parte dele, claro].

Eu já toda empolgada e me deliciando com seu beijo doce, sou interrompida por ele:

- Desiree preciso te contar uma coisa.

Como alguém me interrompe num momento tão importante para me contar uma "coisa"? Que "coisa" pode ser mais importante que o beijo que está rolando?

Olhei-o sorridente e curiosa com a tal "coisa" [mesmo não querendo tal interrupção]. E então a confissão... a de sempre, nem fiquei chocada e continuei de onde eu tinha parado [ou seja, voltamos a beijar]. Ele falou da fase de descobertas e que tinha sacado que a praia dele era outra. Se eu tivesse seguido meu gaydar desde o início não teria dado nisso. Ok, eu tirei uma casquinha e das boas.

- Hmmmm... é, e eu sou apaixonada pelo meu ex-namorado que está em outro país e volta no final do mês. [naquele momento eu nem sequer tinha pensado no meu ex, falei apenas para ele porque eu também senti necessidade de ter uma "coisa" para contar]

Pronto, confissão de um, confissão de outro e já éramos íntimos.

Depois eu me apaixonei e esse foi my big mistake. Mulher, geralmente quando se trata de coração, é burra [tá, tem as inteligentes, mas não faço parte deste universo de mulheres inteligentes]. O problema dois e esse foi o pior, é que mesmo sabendo da não preferência do meu ex-futuro-pretê por pessoas do sexo feminino, eu ainda dei uma insistida. Em menos de uma semana eu saquei e aí quase que tudo foi para o brejo [ah, se não fosse a velha insistência feminina!]. Em menos de um mês acertamos os ponteiros e hoje eu não vejo mais a minha vida sem ele.

Comecei a contar essa história apenas porque houve uma confissão com um ano de atraso. Não, ele não ficou afim de mim. Estávamos numa festa dançando e ele diz:

- Ai Desiree... sabe que se fosse minha praia, eu teria ido além.

- Ahn?

Definitivamente eu fiquei na mão, mas sem problemas porque tirei a melhor casquinha dos últimos tempos.

Estou ficando homofóbica [e isso não pode ir em frente, pois caso essa homofobia tome conta da minha pessoa, em breve eu serei uma balzaquiana em crise e sozinha]. Estou mais para Grace do que para qualquer uma do quarteto nova-yorkino de Sex and the City.


Escrito por Desiree às 05h43
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Ontem passei o dia em meio a trabalhos domésticos: pintei paredes, portas, joguei um monte de coisas inúteis no lixo, mudei móveis de lugar e depois desisti de tudo, porque quando me dei conta estava rolando uma festa sabática aqui em casa.

Mas em meio à faxina, achei alguns livros divertidos na minha estante:

Livro 1

-
O programa infalível para a conquista do prazer na cama [a mulher sexualmente satisfeita]: confesso que não sei como esse livro veio parar na minha estante. Provavelmente alguém me deu para tirar um sarro da minha cara. Vejam os capítulos:

foi bom para você, querida? - que nome mais péssimo para dar um título. Eu já broxaria por aí. E não é que recentemente eu ouvi "e aí, foi bom?". Ahn? Como assim foi bom? Precisa falar? Não sou de fingir orgasmos e muito menos, fingir que curti algo. No dia da pergunta, eu confesso: foi bem meia-boca. Mas claro, falar isso na lata é ser péssima demais. Então, no meu momento "fina", eu disse "é, você poderia ir mais devagar, hein?". Meia palavra para um bom entendor basta, não?

--pulando capítulos--

a experiência da noite selvagem: como domar o machão em seu homem - hein? alguém me explica? felizmente eu não tenho saído com "machos"... não tenho a menor paciência com eles. Prefiro "homens"... se é que me entendem! Machos são chatos, arrogantes e juram de pé juntos que proporcionam prazer como ninguém. Geralmente significa chupar o dedo e se tiver uma lixa de unhas à mão, é um ótimo passatempo, porque a chance de sobrar é enorme! Porque macho perde tempo mesmo é com o ego dele.

Enfim... o livro vai para o lixo. E livro sobre sexo com capa cor-de-rosa não dá!

Livro 2:

Outra [re]descoberta:
Henry & June de Anaïs Nin: esse livro é a delícia das delícias. É um diário [para quem nunca leu] das histórias tórridas que dona Nin viveu com o senhor Miller. Ah, eu morro de inveja de não ter tido uma história assim. Se bem, que eu queria mesmo era ser Simone de Beauvoir e um Sartre. Sei lá se eu me daria bem numa história assim, mas enfim, eu queria tentar!

Livro 3:

Hmmm... esse merece ser lido e relido:
Uma história das orgias de Burgo Patridge. O livro faz você se sentir bem normal e até caretinha, porque leia esta introdução "a orgia serve à útil finalidade não só de fornecer alívio a tensões causadas pela abstinência necessária ou desnecessária, como também, por contraste, de tornar a despertar o apetite para a maçante moderação que é parte inevitável da vida cotidiana". Eu não sou adepta de orgias, porque exige muita coordenação motora e esta me falta. Dois tá de bom tamanho, até porque achar o segundo que a satisfaça do jeito que você gosta não está nada fácil ultimamente. Já falei sobre essa história e nem vou trazê-la à tona, porque é ficar deprimida e depressão no final do domingo é um convite ao suicídio.

Recomendo o livro, em especial se você é cheia [é, para as mocinhas, já que os mocinhos costumam ser bem soltos neste quesitos] de pudores na cama. Vai se sentir a virgem santa depois de lê-lo.

Livro 4:

O sexo e a morte de Jacques Ruffié. Esse eu não li. Peguei emprestado de um amigo há anos atrás e para manter fiel aos velhos costumes, eu não devolvi. A capa é linda, mas pela sinopse parece que o livro não é exatamente sobre sexo, pois fala sobre reprodução humana, evolução da espécie e capítulo com nome "acasalamento" me soa tão impessoal. Acho que não vou ler.

Livro 5:

Anaïs Nin de novo. Ela é fantástica. Se eu fosse uma outra mulher, eu queria ser Anaïs Nin [mudaria algumas coisas, mas enfim...]. Recentemente comprei
Pequenos pássaros - histórias eróticas [porque os tradutores tem sempre que acrescentar "histórias eróticas"?? - acho que little birds não vende aqui].

Esse eu ainda não li, mas é o próximo da listinha. Preciso apenas terminar um sobre a solidão [e tão humano que eu fecho o livro e tenho vontade de chorar] e então vou lá ler nos livros o que eu não tenho de fato vivido.

**

É, ando demasiadamente humana...



Escrito por Desiree às 04h46
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