Alguns dos homens mais interessantes que eu conheço são gays. Já lamentei por isso, hoje eu tiro proveito. Um ex-namorado meio antiquado que tive dizia que alguns fingiam serem gays [socorro!] só para tirar proveito da mulherada.

Claro que nas minhas solteirices eu aproveito para tirar minhas lasquinhas, pois não resisto aos tantos amigos gays interessantíssimos. Eles entram na brincadeira e tudo vira festinha. O problema é quando as coisas esquentam e aí você fica chupando o dedo, pois raramente eles vão ao finalmente. Eu tive um quase-finalmente. Foi muito quase.

Tenho um amigo gay que sempre tentou me seduzir e eu nunca soube até onde iria a história. Não rolou porque as provocações ficam na mesa do bar e depois eu sempre dava um jeito de fugir. Acho que era porque insconcientemente eu sabia que chegaríamos no finalmente e eu não achei que seria uma boa idéia. Claro que não era uma boa idéia porque ele não estava na lista dos amigos gays interessantíssimos.


Escrito por Desiree às 13h18
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Ontem a intensidade do meu relacionamento virtual aumentou. Nossa relação completou uma semana, porém com intervalo feito na virada de ano, o que faz com que nosso contato tenha sido de cinco dias. As coisas estão indo rápidas demais, tanto que ontem falamos [ou melhor, eu falei] sobre a possibilidade [remota] de nos encontrarmos.

É, não gosto muito dessas historinhas que ficam só na telinha me prendendo o suficiente para eu perder minha sessão de cinema e postergando um curso online que eu comprei para ficar trocar minha realidade por idealizações e criação de expectativas, que sempre tem 50% de chances de serem frustrantes. Na contra-partida, o meu inglês tem melhorado a cada dia, já que é o idioma que recorremos para nosso contato e ontem meu vocabulário deu um salto expressivo. Agora eu sei provocar em inglês como ninguém.

Nada de sexo virtual, provocações são muito mais legais. Você escreve o que quer e deixa tudo nas entrelinhas. A compreensão vai depender da criatividade do outro. Tudo começou com os anjos e deles partimos para... hmmm... algo mais hot.

O mais bacana ainda é ver a reação do outro pela webcam. Que invenção dos deuses! Eu não tenho, claro! E não sei se me sentiria à vontade com minhas reações, nem sempre normais, sendo escancaradas na tela de um computador.

Desliguei o computador precisando de um banho frio, mas optei por uma cerveja gelada e a companhia de um amigo para boas risadas após a narrar a evolução da minha nova relação.

E já decidi, se eu ouvir "oi" sem sotaque, eu nem olho.


Escrito por Desiree às 07h32
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Tenho que confessar: estou de quatro virtualmente falando. No início da internet eu estava com uma tremenda dor de cotovelo e tentando superar o fim de um quase-casamento. Enfiei-me no mundinho virtual, que era muito recente [pelo menos no quesito "acesso'] e passei a ter casinhos virtuais [todos furados, claro].

Um dia deu certo, arrumei um namoradinho, nos conhecemos, bateu aquele "tchan", viajamos um pouquinho, fizemos muitos planos e quando tudo estava perfeito, eu cansei. É que depois de um quase-casamento o que eu menos queria era algo muito sério [mas não soube isso tão rapidamente]. Desisti de relacionamentos virtuais, pois deixei de acreditar neles [mesmo que o último não deu certo porque eu não quis].

Como tudo vem como uma grande provação nesta terra, eu fui apresentada virtualmente ao amigo de uma amiga, porque ele estava tentando curar uma dor-de-cotovelo [estou ficando expert no assunto] e ela achou que eu era a pessoa indicada para tal.

Começamos nosso contato pela telinha branca de borda azul clara do msn. Para a minha sorte, ele tem webcam e eu posso vê-lo exatamente como é. Para o azar dele, ele apenas se deleita com as melhores fotos que eu escolhi da minha pessoa para se iludir um pouquinho comigo.

O problema é que estamos a quase um ano luz de distância em tudo, mas os olhos azuis dele e o sorriso que fica estampando na telinha branca de borda azul clara do meu msn me comove e derrete. Pronto, decidi ter uma paixão platônica, pois adoro fantasiar e me iludir um pouquinho de vez em quando. Em especial quando se trata de alguém que parece os rapazes que desfilam pelas páginas das minhas revistas Vogue [tá, tem um certo exagero nisso, mas como eu falei, estou na fase da ilusão].

Ontem, enquanto eu esperava um amigo cheio de más intenções chegar na minha casa, eu o provocava um pouquinho, mas bem pouquinho, porque nesta paixão platônica eu decidi apenas instigar. Ele é tímido, mas sempre que conversa comigo pega uma taça de vinho [talvez para se soltar um pouquinho]. E aí eu fico me deleitando com sua boca sorvendo o vinho, sua língua encostando na taça, o sorriso maroto, o olhar atento como se estivesse me vendo, a sombracelha que levanta quando solto uma frase absurda, a risada e a cabeça indo para trás quando falo uma bobagem. Porque é assim: eu falo e ele reage fisicamente e fala bem pouquinho.

Nossa relação virtual começou na semana passada e vai bem, obrigada. Mando para ele todas as músicas que estou ouvindo, falo sobre os lugares que vou leva-lo quando ele vier me visitar, mostro fotos da minha casa, conto sobre o livro que estou lendo, as festas que vou e agora prometi que terei uma webcam também, mas também é ilusão, porque talvez eu enrole-o neste quesito.

Eu só quero ver é quando ele me disser "comprei a passagem e estou chegando amanhã, você me busca no aeroporto?".

Às vezes eu tenho medo da realidade, ah, e do escuro. E agora estou avaliando o meu medo de ficar sozinha enquanto ouço PJ Harvey.


Escrito por Desiree às 10h00
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Estou com uma baita dor de cotovelo. Fazia tempo que não me sentia assim. Se assistisse 2046 hoje, provavelmente eu choraria copiosamente. Horrível quando nos sentimos trocadas. Tá, eu nunca nem fui "alguma coisa na vida de R", mas ser ignorada, não ter emails respondidos [e emails sem qualquer intenção explícita - apenas mensagens subliminares que eu não sei até que ponto o português dele permitiria captar] e nem ao menos receber um "feliz 2006" fez eu me sentir um nadica na vida dele. Passada em branco mesmo!

- Quero muito te ver novamente.

Para que dizer isso se a intenção seguinte é ignorar qualquer "oi" que você dê? Será que foi bode generalizado apenas porque segui minha vontade louca de vê-lo e viajei algumas centenas de quilômetros para encontrá-lo? De qualquer forma, ele foi favorável ao encontro.

A verdade é: não sei clicar "delete" e tenho sérios problemas em aceitar ser deletada. Não sei simplesmente apagar as pessoas da minha vida. Sou presa demais a tudo, até nas bobagens que coleciono no meu armário, no montinho de ingressos de cinema, shows, peças. Curiosamente a música que toca enquanto escrevo este post é "she´s not dead" do Suede, que caí como uma luva. É, não tô morta!

Hoje, consultando meu canto social na internet, eu vejo a foto dele trocada. Agora ele posa com uma moça que tem até um estilo parecido com o meu para quem quiser ver. E então uma sessão de fotos dos dois coladinhos para cima e para baixo.

E ela toda linda, sorridente, moderninha e aparentemente feliz da vida [ele idem]. No meu momento dor-de-cotovelo descontrol eu apenas digo:

- Tenham uma ótima vida.

A sorte é que eu tinha um chocolate na bolsa.


Escrito por Desiree às 10h19
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Acordei à 1h30 da tarde. Não sei se é um bom sinal começar o ano com tanta preguiça. A boa desculpa é que cheguei em casa já eram mais de 5h30 e claro, por uma ótima causa. Acho que anos que começam de forma inusitada tem grandes chances de darem certo.

Hoje li por aí uma porção de textos sobre o ano que chegou e a convenção das datas. Eu confesso: adoro datas e sou quase uma garota-calendário. Como deixei num recadinho num blog, eu vou me candidatar a garota Pirelli 2007.

Um dia preguiçoso merece bons filmes. Escolhi dois: "Os Produtores", comédia hilária e bem feita. Filme pastelão deliciosamente engraçado. Eu odeio a Uma Thurman! Como ela pode ser tão perfeita em tudo?

À noite dediquei a sessão a invasão oriental: 2046. O filme é longo, inquietante, original e tem uma direção de arte belíssima. O figurino é de cair o queixo e o roteiro é intrincado o suficiente para eu ter que ler algumas críticas para entender o que me escapou. E as chinesas? Uma mais linda que a outra. Quero ser chinesa. Elas são sempre lindas. Pena que eu não me adaptaria de forma alguma a cultura delas. Então continuo ocidental e mais ou menos bonitinha [e ultimamente: ordinária].

Hoje me dei conta de que preciso me dedicar ao inglês, pois com meus anseios de atravessar o oceano um pouquinho este ano, eu vou ter que estar mais craque na língua. E a língua aqui só anda craque em outras coisas. Modéstia a parte, claro!

O que tem me causado um certo espanto é que ando chorona. Na viagem com meus amigos, eu abusei do vinho e no carro chorei, chorei, chorei e não entendi o porquê [não me senti triste enquanto chorava, ao contrário, eu chorava e ria de mim pela situação]. Hoje vendo o trailler de um filme nada dramático, eu também chorei. Já com 2046, que eu até teria algumas razões muito particulares para chorar, não caiu uma lágrima sequer. Ontem eu também chorei quando o francês me olhou docemente e disse:

- Ah, não deveríamos ter feito isso, eu amo a minha namorada e prometi a ela que me comportaria. E faz apenas dois dias que estou no Brasil. - mal sabe ele no que que ele se meteu

Ah, os franceses. Um amigo francês jurou que a França é um país livre. Já não sei mais o que isso quer dizer, pois eu tinha tirado outra conclusão do comentário.

E chorei. Ele me olhou e perguntou o porquê eu estava chorando e ficou comovido. Gosto quando as pessoas se comovem comigo, assim como de vez em quando eu me comovo comigo mesma, como ontem, pois nada explica as minhas lágrimas repentinas. Chorei e não sei porquê [novamente não me senti triste]. Talvez eu tenha chorado porque a França fica longe demais e no momento eu não tenho muitas condições de atravessar o oceano e alcança-la.

Preciso ter uma idéia original para conseguir alguns trocados.

--> ouvindo "Spoon" e indo dormir


Escrito por Desiree às 17h21
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Ano novo e um monte de coisa nova para falar. Terminei de ler o livro "a vida sexual da mulher feia" e não gostei. Ele é super bem-humorado, mas um humor que não fez eu rir [será que foi alguma identificação não identificada conscientemente?]. Concordo com a autora que independente de ser feia ou bonita as coisas estão ruins para nós [a mulherada], afinal como eu já divaguei há posts atrás, as pessoas não querem mais saber de compromisso e os que aparecem, geralmente, são freaks demais.


***

Virei meu ano com meus amigos mais queridos, o que me deixou bem feliz e não fez mais nada além da presença deles ser necessário. Depois fomos para uma cidade próxima procurar uma boate gay encontrada no google. Não procurem boates no google.

O lugar era imenso e a visão que tive na minha primeira madrugada do ano foi a do inferno. Vou escrever um livro também "a vida sexual dos gays feios". Ser feio nem é problema, o problema é ter mau gosto. Ok, você pode me perguntar: mas o que é bom gosto? Se você não tem muita certeza quanto o que é bom gosto, não ouse muito, pois o risco de errar é enorme.

Tá, vou montar também um esquadrão da moda e principalmente, o esquadrão "salvem os cabelos" para ver se dá para melhorar um pouquinho as coisas.

Claro que começando o ano com a visão do inferno, eu acho que 2006 será um ano ótimo, porque 2005 eu comecei num paraíso, com um monte de gente linda à volta e muito louca. Desta vez eu estava com poucos [e ótimos como já falei] amigos e em família, numa virada tranquila e sóbria de tudo. Que 2006 seja um ano bem sóbrio.

Resolvemos antecipar a volta da viagem, já que o tempo estava ruim e ontem fomos dançar. Noite ótima, encontrei outros tantos amigos queridos, dei uma sessão "auto-ajuda" [vi que posso ganhar uns trocadinhos com isso] e terminei a noite nas garras de um francês. Não falei que esse ano vai dar França?

E eu to numa fase estrangeira e já falei isso. Acho que as coisas do lado de lá do oceano estão melhores para nós [mulherada] do que do lado de cá do continente. Francês lindo, delicioso, fofo, culto, cinéfilo, gosto musical impecável, inglês surpreendente bom e aperta como ninguém. Acho que isso que tá faltando do lado de cá: a boa pegada.

Pena que eles sempre resolvem trabalhar no Rio... vamos implantar uma praia no meio de São Paulo para ver se esses seres interessantes ficam por aqui mesmo.

E depois eu volto para falar da vida sexual da mulher feia.

--> ouvindo "Explosion in the sky" [e no quarto também]


Escrito por Desiree às 06h30
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