Vou para a praia, mesmo estando na maior ressaca. A idéia é chegar lá e apagar, mas sei que isso tem poucas chances de vingar. Tudo que preciso no momento é tirar esse mofo de escritório e ganhar uma corzinha. Chega desta cor indie.

- O pessoal da X estava todo no posto 9.

- Sério? E aí? E os corpinhos?

- Sou mais eu. Agora entendo porque esse povo se veste tão bem, porque sem roupa eles não são ninguém. Magros demais, brancos demais.

Enfim.. galerinha indie. Eu não sou indie, não ando como indie, não pinto os olhos como indie, não tenho mais os cabelos pretos, uso roupas coloridas, sapatos divertidos, fitas e ouso com bolsinha branca. Eu acho os indies um dos seres mais interessantes do planeta, mas não gosto quando a franja é ensebada. Adoro os terninhos, o olhar blasé, a cor da pele, o all-star nos pés, o conteúdo do ipod, as fotos que colocam nos headshots ou fotologs, a conversa sempre sobre bandas e aquela sensação londrina.

Não tive estilo suficiente para ser indie, então apenas gosto deles, ouço o som deles e vou nos lugares que eles frequentam. Talvez a alma seja indie. Eu não gosto de rótulos. Acho que tenho um estilo bem próprio, bem a minha cara, mas me divirto com os mundinhos criados dentro do nosso mundão. É isso que faz tudo divertido.

Ontem ouvi música indie, vi indies, fui em lugar indie. Foi divertido. Bebi e não resisti aos encantos de um amigo e me aproveitei um pouco da generosidade dele. Nada como beijos amigáveis e doces para fechar a semana.

Agora vou pegar meu bíquini rosa, meu óculos J.O., protetor solar 20 e minhas revistas e meus cd´s de música indie para relaxar um pouquinho.


Escrito por Desiree às 10h35
[] [envie esta mensagem]



Um comentário deixado neste blog trouxe uma antiga história à tona. História besta, claro! Eu tinha um amigo que estava todo caidinho por mim, o que não foi uma coisa boa nessa história [mas eu soube disso depois]. Encontramo-nos em solo europeu e viajamos um pouquinho juntos.

Seguimos para a terra do papai noel de navio. Eu era quase uma Kate Winslet em Titanic. Cabelos esvoaçantes, saia rodada e sapatinho de boneca. À noite rolou uma festa bem animada e fomos eu e meu amigo, que a essas alturas estava quase me matando pelo meu ar blasé de "você é tão legal que merece alguém melhor que eu". Claro que eles nunca caem nessa história.

Neste dia eu tomei meu primeiro cosmopolitan. Era quase uma personagem do Sex And The City, que nessa época eu desconhecia por completo, pois TV a cabo na minha vida foi algo muito tardio, inclusive só existe na casa dos amigos, porque a mim não chegou até hoje.

À nossa volta idiomas diversos e gente bonita. Dividimos a mesa com uma senhora brasileira que morava na Alemanha e quando falei que éramos apenas amigos, ela disse que ia arrumar um alemão bem bonito para mim. Com a ajuda do cosmopolitan minha animação subiu. E olha que nessa época eu nem era pretensa maria-cumbica.

De repente começou a rolar música lenta para dançar agarradinho. Gargalhei, porque a última vez que eu tinha visto as pessoas dançarem assim tinha sido no colégio. Aí um moço de 3 metros de altura, cabelos lisos e bem loirinho, sorriso alvejante e olhos azuis românticos, começou a sorrir para mim. Meu amigo, percebendo o clima, resmungou e disse que ia dormir. Quando vi eu estava rodopiando pela pista agarradinha no galego.

Fomos os últimos a sair da festa e ele foi me acompanhar na minha cabine. Descobri que estava sem chave. Acabei dormindo na cabine dele [e juro que não aconteceu nada além de beijos, porque na época eu era muito comportada, o que eu acho uma pena, pois foi um grande desperdício].

Acordei com ele resmungando em alemão e aí me dei conta que tínhamos perdido a hora do desembarque. Saímos da cabine e o silêncio era mortal. Subimos e então descobrimos que estávamos na Dinamarca e não na Suécia, que era nosso destino final. O navio já tinha ido ao nosso destino e voltado. Meu amigo, que a essas alturas deveria ser ex-amigo, tinha desembarcado. A coisa ruim é que eu estava rumando para a casa dele, o que já não era mais uma boa idéia. Estávamos de carro e da cidade que desceríamos até a cidade que ele morava, eram bons e bons kilômetros.

Fiquei sem saber o que fazer, me achei inconsequente, uma amiga muito má e chorei. É, chorei de desgosto de mim nesse dia. Não tínhamos muito o que fazer e ainda descobri que eu estava na roça, pois tinha esquecido o passaporte no carro do meu amigo. Depois de muito stress eu consegui embarcar para a Suécia novamente com o galego a tiracolo, mas só entraria lá se conseguisse resgatar de alguma maneira o meu passaporte.

Felizmente meu amigo era uma pessoa boa. Ele era uma pessoa que eu deveria ter me apaixonado, casado e tido filhos, pois era tudo que ele queria. Infelizmente nem sempre queremos o que é melhor para nós. Meu passaporte tinha sido deixado na polícia federal [é isso?] junto com um número de telefone celular. Inacreditavelmente meu amigo ficou na cidade me esperando.

Claro que viajamos sem trocar uma palavra e eu fiquei um mês limpando a casa dele para me desculpar pelo meu desvario. E claro, reencontrei o alemão.

--> ouvindo Chemistry do The Adored [meus novos amiguinhos]


Escrito por Desiree às 03h51
[] [envie esta mensagem]



Estávamos saindo do restaurante quando ouvimos uma batida de carro. Deu aquela curiosidade mórbida, mas seguimos devagar fingindo não querer saber o que aconteceu. Antes da batida, tínhamos ouvido uma sirene, o que fez acharmos que o carro foi desviar da viatura e bateu. Que azar! É sempre um grande azar bater o carro. Eu já bati algumas vezes.

Quando chegamos no local do acidente, vimos o carro batido [tinha entrado num poste de placa de trânsito] e na frente uma viatura. Pasmem! A viatura era UTI Veterinária. Eu nunca vi isso na vida e me senti por alguns momentos em outro país que não o nosso.

Da viatura saíram dois caras gigantes, com óculos escuros, cabeças raspadas e macacão verde. Naquele momento eu pensei, mas só um pouquinho, de ter sido a azaruda que bateu o carro, pois ser atendida pelos dois bonitões era sim uma grande sorte.

Achei tudo tão hollywoodyano. Até a vespa que nasceu hoje era canadense. Um luxo! E o vôo dela foi emocionante... nunca gostei de vespa, agora gosto delas. E também gosto da UTI veterinária. Será que se eu jogar meu gato do primeiro andar, eles vão socorrê-lo??

Vou ouvir Clap Your Hands Say Yeah! Ultimamente nada tem me feito tão feliz.


Escrito por Desiree às 08h33
[] [envie esta mensagem]



Ontem soube que uma confissão boba que fiz virou texto no 02 Neurônio. Foi aquele tal do "uma amiga contou". Não li o texto, aliás, não achei nos arquivos, porque tem textos demais lá e fiquei com preguiça de procurar.

Fiquei curiosa, porque a tal confissão deve ter resultado em algo engraçado e, quase, inacreditável. Não vou contar, porque eu não conseguiria confessar a mesma coisa duas vezes, em especial por ser algo inconfessável.

Ontem fui [de novo] tomar cerveja e beliscar delícias com dois amigos. A amiga, recém-chegada de viagem, trazia muitas novidades. Ela gosta de meninas e o universo dela é tão conturbado quanto o nosso. Ontem descobri que uma pessoa me odeia, mas eu não tenho a mínima de quem seja ela. Estranho saber que você é odiada por alguém, mais estranho ainda é saber que você é odiada por alguém que você não conhece.

A minha amiga descobriu que a pessoa que me odeia é ex-namorada da atual namorada de uma amiga nossa e que era uma pretê dessa minha primeira amiga. Muito confuso, né? Histórias de meninas com meninas são sempre mais complicadas de serem contadas, porque é sempre "ela" nos dois lado [ou por todos os lados]. Eu também fico bem confusa. Tinha algumas histórias para contar, mas já estou com um nó na cabeça.

Essa minha amiga também contou que a mãe dela tem uma foto minha num porta-retrato. Achei bem curioso, pois a mãe dela não me conhece. E, nesta foto eu estou beijando um dos meus melhores amigos. É uma foto ousada, mas linda. Eu e meu amigo achamos engraçado ela ter justamente essa foto. Aí minha amiga confessou que é porque a mãe dela achou que namorávamos. Rimos, depois eu pensei o quanto eu me sinto mesmo namorando com ele. Acho que seríamos um casal arrojado e bacana.

Tenho que ir, acabou de nascer uma mariposa que estava dentro de um grão de feijão e vamos soltá-la. Temos muitas estranhices aqui no ambiente de trabalho.

Enquanto isso, não deixe de ver este
vídeo.

Escrito por Desiree às 07h36
[] [envie esta mensagem]



Tantas idéias borbulhandos, mas tem faltado tempo para escrever. Verão é uma época complicada. Descobri que a maioria dos meus amigos fazem aniversário em janeiro, o que demonstra que as pessoas fazem mais sexo no inverno do que no verão, afinal elas foram concebidas entre maio e julho [sempre tem os apressadinhos que nascem antes].

Sobre a complicação do verão é que você fica mais suscetível a uma mesa de bar. Eu estou há duas semanas assídua em frequentar botecos. Começo a achar que tenho tendências ao alcoolismo, pois beber todos os dias não é algo que acho normal. Ou é e não me contaram?

A outra complicação do verão é que as pessoas saem mais de casa e você encontra facilmente pessoas com que você não quer encontrar.

**frança de novo**

Há algum tempo que insisto que a moda agora é França. Um amigo disse que na França a moda é Brasil, o que faz eu me sentir em total sintonia. Ele me contou que todos os amigos dele estão tentando oportunidade aqui nos trópicos e que haverá uma debandagem geral para cá. Que venham os franceses!! Vou fazer uma faixa linda cheia de coraçõezinhos pulando de alegria com boas vindas na saída de Cumbica. E claro, vou fundar a comunidade Maria Cumbica para que eles se situem logo que chegar.

Francês usa orkut?

**café-sexo**

Li uma matéria que a moda por lá é café-sexo. Achei um luxo você discutir sexo seriamente. Marcar um encontro com pessoas para falar sobre o assunto. Já tem até boate por lá fazendo uma extensão do bate-papo, incluindo leitura, musica e provavelmente a prática no final do encontro.

O propósito dos encontros é terapêutico e informativo. Informativo eu entendo, mas o que seria terapêutico numa conversa sobre sexo? Afinal o assunto é estimulante e não relaxante. Eu não consigo relaxar com este tópico, ainda mais com café. Menos mal se com café, que só o mantém acordado... imaginem o debate acompanhado de vinho ou mesmo uma cervejinha?

Os participantes tem que participar ativamente [teoricamente]. Fico aqui imaginando como são as apresentações e o que são faladas nelas. "Oi, eu sou a Desiree, tenho alguns anos, estou aqui porque gosto de erotismo, sexo, beijo na boca e tenho algumas dúvidas. Espero também melhorar como pessoa".

Só não sei exatamente em que tipo de pessoa eu posso me tornar frequentando um café-sexo. Talvez seja um ótimo ambiente para conhecer gente interessante e você já ter algumas dicas em quem investir. É, imaginem:

- Oi, e aí, como você está?
- To namorando!

- Sério? E onde arrumou?

- Num café-sexo. - do outro lado uma cara de "não entendi" ou expressão chocada

Gostei da idéia, vou trazê-la para os trópicos e quem sabe essa seja a idéia genial que eu estava procurando para faturar alguns trocados.

**paulista&sexo&cerveja**

E li uma materia na TPM escrita por um cara que mora em algum país da América Latina [eu não lembro dos detalhes]. Pediram para ele fazer um texto sobre São Paulo. Li só a metade, pois saí e esqueci de ler o resto.

O que eu lembro é que ele diz que a paulistana bebe muita cerveja e pensa muito em sexo, mas pensa mais do que faz. Será que ele me conhece?

**luxo no banheiro**

Se você é adepto de quebra de paradigma, experimente este link:
http://www.wellbeingworld.com. Como perguntou sabiamente um amigo:

- E como vou saber que está limpo?


Escrito por Desiree às 11h01
[] [envie esta mensagem]



Sábado eu decidi que teria um dia a sós comigo. Claro que essa decisão foi tomada após constatar que as pessoas as quais eu não vivo sem estavam indisponíveis. Um viajou, o outro dedicava o tempo à demonstração fervorosa de amor e o terceiro tambem havia fugido da cidade. Pensei nas amigas, mas acho que a maioria delas estão passando por fases problemáticas e eu não queria falar sobre problemas e nem queria baixo astral perto de mim. No momento tudo que posso fazer por elas é implorar para que assistam "Quem somos nós?" e leve cada ponto a sério, transformando a física quântica em religião, mesmo que temporária.

Então, após meu chilique egocêntrico, achei que seria uma boa oportunidade para ficar comigo, para ir onde quisesse e ficar quanto tempo quisesse, observar, ficar horas tomando um café e folheando uma revista. Antes de iniciar minha saga umbiguista, eu fui almoçar com um casal de amigos, mas a amiga estava mal-humorada. Estou com medo desse não ser um ano muito favorável ao time feminino.

Fechei a noite [a primeira parte] com um filme água com açucar que me arrancou lágrimas e aquela vontade de ter uma nova história de amor. A tradução do título "e se fosse verdade" [just like heaven] não foi muito feliz, porque não traduz a história do filme [para variar]. Saí do cinema com o coração descompassado pelo Mark Ruffalo. Velhos tempos em que minhas paixões platônicas ganhavam espaço nas paredes do meu quarto.

Após isso a saga começou. Iniciou-se um movimento migratório para a minha casa, não fiz as coisas que pretendia e às 2h eu estava de toalha jogando a chave pela janela para meu amigo entrar. E lá fomos nós para se esbaldar em uma noite eletrônica com um DJ com quem eu casaria e teria filhos.

Noite ótima, divertida, dançante e com muita gente bonita à volta. Dançamos até a exaustão, tivemos nosso momento "maria pickup", o que aumentou ainda mais a empolgação do DJ gringo que sei lá o quanto está acostumado a essas manifestações tropicais.

Os pretês da noite foram desclassificados, apesar da pista estar cheia de seres com sotaques estrangeiros, pois vi que sou muito chata e que vou acabar ficando sozinha tamanha anda a minha pretensão. E isso não tem a ver com beleza e sim com gosto e estilo, pois estou prestes a terminar minha relação virtual, porque como posso investir em alguém que nunca ouviu falar em Interpol e Flaming Lips?

E a expressão agora é "maria cumbica", já que não achei expressão mais adequada para caçadoras de seres com sotaques estrangeiros. Saímos de lá com o sol despontando, mas a manhã bonita e fresca nos animou a esticar em outra festa, em que nosso queixos caíram e nossos pretês mal perceberam a nossa presença. É, o nível ficou elevadíssimo e aí a concorrência era desleal. Segui mancando no salto alto às 8h da manhã para casa, tomei um merecido banho e mergulhei num sono de Cinderela.


Escrito por Desiree às 11h25
[] [envie esta mensagem]



[ ver mensagens anteriores ]