Quando vi no calendário que o feriado seria em plena quarta-feira, sorri feliz. Um feriado no meio da semana era tudo que eu precisava para dar uma relaxada. Você relaxou? Não? Eu também não.

Terça eu estava mais agitada que a cidade. Jantarzinho num restaurante frequentado por modernos endinheirados e penetras como eu. Expectativas de rever F, que me ligou e topou fazer a via-sacra noturna. Duas festinhas na mesma noite.

Encontrei F já na casa de um amigo. Fiquei vermelha ao cumprimentá-lo e não consegui olhar nos olhos.

Tenho alguns motivos para ter me sentido intimidada. Também senti um friozinho na barriga bem bobo. Logo relaxei, mas os movimentos passaram a ser calculados. Como somos tolos quando temos algum interesse a mais em alguém. Você vai ao banheiro para checar se a maquiagem está perfeita, se o cabelo está ótimo, se escolheu a roupa certa, olha para as mãos, pois caso as unhas não estejam feitas, elas não estarão em cima da mesa em nenhum momento.

Tudo em ordem. Sentei no chão e fiquei perguntando por onde andava minha criatividade para iniciar uma conversa com ele. Claro que saiu tudo embolado, fiquei vermelha novamente, levantei para pegar uma cerveja e relaxar, tropecei, derrubei a cerveja do meu amigo, quis sumir e então entrei debaixo da mesa.

Conversei com um, conversei com outro e demorei um pouco para voltar a minha atenção a ele. Tudo fingido, claro. Eu não lembrava muito bem do rosto dele, pois nos vimos apenas uma vez. Achei-o mais bonito, mais magro e não lembrava que ele tinha olhos tão azuis. Fiquei encantada.

A última vez que nos cruzamos o desfecho da noite foi meio conturbado e eu queria que dessa vez as coisas saíssem bem. Eu também queria que rolasse alguma coisa, mas achei pouco provável essa possibilidade.

Fomos para uma festa, depois seguimos para outra. Resolvi trocar de sapato e o convidei para ir comigo até minha casa, enquanto todos iam na frente. Queria ficar só um pouquinho sozinha com ele, mostrar minha casa e relaxar, porque eu não estava conseguindo.

Mostrei a casa para ele, troquei o sapato, peguei duas cervejas e quando estava saindo, ele sugeriu terminarmos a cerveja. Sentamos. E eu estava mais tensa do que antes. De repente, ele me agarrou. Fui pega de surpresa dessa vez, pois todo o discurso de "eu tenho namorada, amo, ela confia em mim, logo virá para o Brasil me encontrar e eu não posso fazer isso" martelava na minha cabeça, mas tudo pareceu não ter importância para ele naquele momento.

Eu sóbria, arrumadinha, bonitinha e ordinária [naquele momento] me sentindo acuada por um quase desconhecido com um discurso romântico, que fez eu me derreter e pensar "ah, por que eu não cheguei primeiro?".

Depois de recuperar o fôlego, terminar a cerveja e me sentir mais à vontade [os franceses mesmo quando estão com pressa são ótimos - o sex appeal parece estar impregnado em todos os poros], fomos encontrar o pessoal, que fingiram ter nos esperado por apenas cinco minutos, pegamos cerveja, dançamos a noite inteira, tiramos muitas fotos, encontramos muitos amigos e então rolou nossa primeira DR* no segundo encontro.

Como a maioria das mulheres, eu adoro uma DR, tenho todo um discurso pronto, sou articulada, sei fazer chantagem emocional. Resumindo: sou detestável. Sei como começar uma e como termina-la a meu favor. Porém, para essa DR eu não estava preparada, afinal não temos nada um com o outro e muito menos foi eu quem começou a discussão, o que também é raro.

Tudo começou porque estávamos sentados em uma espreguiçadeira e eu, já embalada com a cerveja, não resisti e fui dar um beijinho. A pior coisa que pode acontecer a qualquer ser humano é ter um beijo recusado de alguém com quem acabou de ficar.

Ele se afastou e eu fiz aquela famosa cara de cu. E aí as cortinas se abriram, os tambores rufaram e iniciamos nossa DR, que foi a mais tosca que eu tive na vida e por sorte ando muito bem com minha auto-estima, senão eu teria me afogado na fonte que estava atrás de nós.

A conversa foi a mesma: tenho namorada, amo muito, quero ter filhos com ela, espero que ela possa vir para cá o mais rápido possível, blá, blá, blá.

Há pessoas que não tem noção da vida, de emoções, de relações humanas e muito menos da possibilidade de sermos sensíveis e nos sentirmos um lixo após uma frase mal colocada. Talvez eu tenha me sentido, mas felizmente durou dois minutos. Acho que estou numa fase "eu mais eu mais eu mais eu". Que ela dure muito, porque já fui muito "eu menos eu menos eu menos eu menos eu".

Como ando afiada a resposta foi [tradução superando o original]:

- Se você está se sentindo culpado por ter ficado comigo, o problema é seu. Sua namorada é um problema seu. Você não precisa me lembrar o tempo inteiro da existência dela. Eu já passei pela mesma situação que você [no caso eu era a namorada] e sei como é, mas é algo que você tem que resolver com você e não comigo. Você foi na minha casa, você me agarrou porque quis. Eu não estou esperando que você se envolva comigo. - [ok, eu menti nesse trecho, eu adoraria que isso acontecesse... hehehehe]

- E porque você fez essa cara?

Não disse, mas a vontade foi:

- Sou mulher, sou humana, sou sensível, tenho oscilações na minha auto-estima, tenho neuras, expectativas, vontades e às vezes não reajo bem às rejeições.

E disse algo do gênero:

- Porque você cortou o meu barato.

E ele começou a piorar a situação e falar algumas bobagens até eu mudar o tom da conversa e fingir que nada tinha acontecido, inclusive mesmo ter ficado com ele. E então relaxamos.

E eu me dei conta de que custa caro ser uma pessoa livre. Aliás, o que é ser livre?


Escrito por Desiree às 06h12
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Minha amiga J ficou com D. Tudo começou com um amigo fofocando que ele a achava bonitinha [ou algo do gênero]. No primeiro momento eu me senti um pouco incomodada pelo comentário, mas por egoísmo, já que D e eu não temos nada a ver um com o outro.

Dei um empurrãozinho e disse a ela para se jogar, pois ela sempre falou o quanto acha ele lindo.

- Mas você não se incomoda?

- Não. Com ele não. A única regra é que você nunca fique com T.

- Nunca ficaria e nunca ficaria com alguém se isso fosse magoa-la.

- Vá em frente. Eu apoio. E se joga, porque ele é lerdo.

Rimos e ela ficou totalmente eufórica. Já tinha desistido de me acompanhar em uma festa, mas quando eu disse que seria a oportunidade de se aproximar, ela mudou de idéia.

O engraçado é porque a história se repetiu. No ano passado eu tive um rápido envolvimento com V, fiquei apaixonada, animada, mas as coisas sempre iam até um certo ponto e então, ele recuava. Isso começou a me incomodar até as férias de verão dele terminarem e ele voltar para o norte para concluir a faculdade. Me desliguei.

Já esse ano, trocamos alguns beijos quando estávamos meio fora de nós e então ríamos, até um dia que o lance foi forte e na hora H ele solta essa:

- Vamos parar. Não quero estragar a nossa amizade.

- Ahn? Vai estragar a amizade se parar onde parou!

Ele me soltou, virou e apagou.

Depois disso eu nunca mais deixei ele se aproximar de mim. Voltamos a nossa velha e boa amizade, dessa vez preta & branca. Minha amiga confidenciou que achava ele muito bonito e eu percebi que ele andava olhando diferente para ela. Dei um empurrãozinho e então começou a rolar uma história bacana entre eles.

- Mas você não se incomoda?

- Não. Com ele não.

- Se te incomodar, você fala, hein?

- Não temos nada, pode se jogar.

Não demorou muito para ela começar a ter o mesmo problema que eu, se encher e dar um chega para lá nele [se bem que até hoje não ficou claro quem deu um chega pra lá em quem].

Sou mesmo generosa, porque costumamos ser egoístas quando se trata de algum ex-algumacoisa. Eu saquei que vai me incomodar se for com alguém que me balançou demais, como T, como R. E aí vou ficar magoada.

Não resisti em brincar que os mais estranhos que surgem na minha vida são justamente os que ela se interessa.

Acho curiosa essa nossa relação com pessoas que passaram nas nossas vidas. Podemos não querer mais nada com fulano, mas se alguma amiga nossa se interessar por ele, há grandes possibilidade de colocar a amizade em risco. Quem já não viu essa história antes?

D e minha amiga vão namorar. Ele é pra namorar. Ela também e há tempos que anda querendo um namorado bacana e só tem se envolvido com pessoas que não valem a pena. Torço a favor. Torço contra.

Hoje ela me ligou pela manhã parecendo uma adolescente e me contou todos os detalhes. Estava animadíssima e já tentando fazer previsões.

- Vou deixar rolar.

- Sim, é melhor.

- Será que ele vai querer algo a mais?

- Você não disse que vai deixar rolar?

- Sim. O que você acha?

- Que você deve ir até onde você queira ir.

- Você não se importa?

- De novo essa pergunta? Eu fico um pouco preocupada.

- Por quê?

- Porque vocês dois são problemáticos demais. - e ri

- Ele é problemático?

- Ué, já te contei tudo sobre ele.

- Só pelo fato de ele comer apenas um tipo de peixe de um tipo de marca e fazer estoque em casa?

- Hahahahaha... isso é só detalhe. Ele tem toc e você terá que ser paciente.

- O que é toc?

- Então, pesquise na internet e já aprenda a lidar com pessoas com toc. Pelo menos ele é consciente do problema e trata. Merece uma chance. Fora que eu adoro ele e ele é bacana.

- Será que vai atrapalhar?

- Se você deixar.

E aí eu voltei a anima-la, porque sei que ela pode rapidamente se deixar levar pelos comentários toscos feitos num momento "estoucomdordecotoveloedaí?", inconscientemente claro, afinal sou demasiadamente humana e felizmente eu estou longe da perfeição.

- Dê, você não se incomoda mesmo?

- É estranho, mas não me incomoda. Ele beija bem? [lembrando que o beijo que rolou entre nós foi ruim]

- Fui moldando e aí ficou bom.

- Então aproveita!

Depois mandei um email para D dizendo que ele me deve uma garrafa de vinho pelo empurrãozinho que dei.

Curioso foi chegar em casa no início da madrugada e me deparar com os dois no maior clima, pois até então ele ficava comigo batendo papo na sala e ela se distraíndo na cozinha. Fui dormir rindo.


Escrito por Desiree às 08h58
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Fui a uma festa e lá estava eu dançando com amigos e um mocinho muito bonito veio conversar comigo. Quando rolou um beijo, eu achei que estava faltando algo. E estava faltando o principal num beijo: a língua!

Cochichei ao tal mocinho:

- Mas que língua regulada! - e ri

Ele riu e continuou beijando, porém do mesmo jeito. Aí não deu para continuar, porque para mim não existe meio beijo. Beija ou não beija. Ponto. Como ando sem meias palavras [eu ainda volto a fase da delicadeza e moça de bons modos]:

- Então, você beija mesmo sem língua?

- É que é muita intimidade, não acha?

- Ué, então não beija.

Ele me puxou de novo e eu me desvencilhei e voltei para ficar com meus amigos. Já divaguei um tanto sobre beijos.

Beijar é realmente bom demais, em especial quando há aquele encaixe perfeito, o beijo sem pressa, doce em que você vai explorando a boca do outro, sentindo a língua roçando na sua língua, o ritmo que aumenta e você não quer mais parar de beijar, de apertar, de abraçar. É o beijo que desperta todo o resto, acorda o corpo, causa arrepios, chacoalha. E tem gente que ainda curte beijar pela metade.


Escrito por Desiree às 04h19
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