Eu tenho um sobrinho que é dez ano mais novo que eu e adora pegar no meu pé. No dia de boa moça lá fui eu visitar a família, me deliciar com a comidinha da mamãe, ficar jogada no sofá vendo novela e ainda tomar um chá com pãozinho francês [ah, francês!] antes de dormir acompanhada dos latidos dos cachorros.

Onde moro meu som noturno são buzinas, gritos e som alto. Sinto falta dos cachorros. Quando passei uma curta temporada em Londres, meu amigo que me abrigou disse que sentia saudades dos latidos noturnos, pois em Londres os cachorros não latiam. Comecei a reparar e durante o tempo que estive lá nunca ouvi um latido. Isso me deprimiu.

E lá estava eu folheando uma revista feminina e entrando numa crise histérica quando meu sobrinho resolveu abrir a boca e perguntar exatamente o que eu não queria responder:

- Tia [odeio quando ele me chama assim] você tá namorando?

- Não.

- Sei. Você não tem medo de ficar encalhada?

- Encalhada? Como assim?

- Sei lá. Talvez como suas primas. A maioria já chegou aos 40, estão mais chatas do que nunca e solteiras.

- Somos diferentes.

- Como? Todas solteiras. Você é apenas mais nova, mas o restante é tudo igual.

- Estou chata?

- Chata? Não, ainda não está chata, mas acho que tá cada vez mais teimosa. Deveria arrumar um namorado. Você sempre fica mais legal quando tá namorando.

- Não quero namorar agora.

- Não quer namorar ou ninguém quer namorar com você?

- Ai, que papo mais chato. Podemos falar de outra coisa?

- Vai começar o Big Brother. Vou pensar em algum amigo pra te apresentar.

- Vai tomar no c*.

É, não fui muito delicada no desfecho da minha conversa. Depois fiquei me perguntando o porquê de ter ficado tão irritada. No fundo a gente sempre quer alguém e quando esse alguém não aparece, a gente finge que está melhor sozinha. Esse papo de "dar um tempo para me curtir" é pura balela. Falamos isso para não afetar a nossa auto-estima.

Ficar sozinha tem suas vantagens e elas são até maiores do que estar com alguém, ainda mais alguém como eu que vive mudando de idéia, sempre quer fazer alguma coisa, não consegue se desgrudar dos amigos, adora festas. Todas as crises que tive no meu último namoro foram justamente relacionadas por esses motivos.

- Você não consegue viver sem seus amigos.

- Amo meus amigos.

- Acho que eles influenciam demais você.

- Você fala isso porque tem ciúmes dos meus amigos

E a briga começava.

- Estou numa fase de querer ficar mais em casa.

E então passávamos um mês sem sair à noite e eu quase enlouquecia até ouvir:

- Se você quer sair, vá. Eu não preciso ir junto.

E eu me perguntava o porquê de eu ceder a fase dele, afinal eu poderia sair com meus amigos. Eu tinha esquecido de mim! Malditas mulheres passivas que nos tornamos quando estamos de quatro por alguém.

- Hoje tem uma festa, vamos?

- Não to afim, mas vai lá.

- Hmmm... ok. Eu vou! Vai todo mundo e eu estou com saudades.

- Legal. Divirta-se.

E então o clima ia mudando aos pouquinhos. Ele ficava mal-humorado e alegava que não estava bem. Quando eu me dava conta eu estava virando a madrugada em casa com ele. Ou se eu ia, no dia seguinte o clima entre nós era insuportável, mas sempre alegando "o problema é comigo, não tem nada a ver com você".

Quando lembro disso tudo, eu chego à conclusão que é ótimo não ter que dar satisfação e não abrir mão das coisas que gosto.

Na contra-partida, é claro que eu queria ter alguém. Sei lá, sinto uma falta imensa de me apaixonar, de ouvir "eu te amo", de ter alguém para dormir abraçadinho, de fazer planos com alguém, de fazer surpresinhas para alguém, de fazer sexo regularmente [ok, não precisa namorar para isso, mas enfim... isso é outra história], de ficar debaixo das cobertas vendo dvd e comendo pipoca, de beijar alguém no cinema no final do filme, de alguém me ligar para dizer que está com saudades e quer me ver e outras coisinhas.

Se eu sinto medo de ficar sozinha? Sinto, por mais que eu cerre os dentes para assumir isso. Não sei como os homens se sentem em relação a isso, mas a maioria da mulherada que conheço tem medo e não assume [como eu costumo não assumir também].

E enquanto essa paixão avassaladora não bate na minha porta, eu continuo me divertindo com meus amigos e minha insanidade, que está numa fase ótima.


Escrito por Desiree às 02h43
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Os melhores papos femininos rolam em institutos de beleza. Até veio a minha relapsa mente o filme "Instituto de beleza Vênus", um filme francês bacana estrelado pela queridinha Audrey Tatou dois anos antes de estourar como Amèlie Poulain, mas a história aqui é outra.

Como estou em dias tpmístico [mesmo sem estar na tpm, mas tenho que ter um motivo para justificar meu mal humor] eu resolvi me dar alguns mimos: uma sessão de massagem, manicure, pedicure e me atualizar com a Revista Caras.

Ir a um salão [odeio essa palavra] de beleza fazer pé/mão sem ver uma Contigo! ou uma Caras não tem a menor graça, afinal tem que ter um lugar para a gente se informar do universo das fofoquinhas, que convenhamos é fútil, mas faz parte da nossa natureza humana "feminina" querer saber tudo.

Enquanto uma cuidava dos pés e a outra das mãos, eu folheava a Caras e me inteirava das "notícias". Quando as duas mãos estavam sendo trabalhadas, eu parti para a atividade 2 de um salão de beleza: ouvir a conversa alheia. Uma delícia!

Eram quatro amigas e o papo era "aliança". Uma mostrava feliz da vida a aliança que ganhou:

- É modelo novo da Vivara. Não é linda?

- Da Vivara? Como você é chique! E que pedras são essas?

- Brilhantes.

- Brilhantes?

Pensei quanto deveria custar um brilhante. É caro? É barato? Eu nunca tive uma aliança e não uso nenhum acessório, por isso não entendo patavina de jóias.

Quer dizer, vou confessar: numa fase desalentada da minha vida eu me envolvi com um cara comprometido com uma moça que gostava de jóias. Ele dizia:

- Eu prefiro quando ela está de jeans, camiseta branca e keds, mas ela é tão patricinha.

- Keds? - como alguém pode gostar que alguém use keds [ok, isso faz tempo e acho que na época era moda. Eu nunca tive um keds]

- É. Ela fica tão bonita de keds.

- Eu odeio keds.

- Você é despojada. Ela poderia ser como você.

- Ué, se ela poderia ser como eu, porque ele estava comprometido com ela e não comigo. - eu pensava

E então ele me levava na Montecristo no Shopping Iguatemi para ajuda-lo a escolher uma jóia para ela. Eu vou para o céu. Além de me envolver com um rapaz comprometido, eu ainda o ajudava a escolher jóias para a tal noiva. Era muita cara de pau.

Ah, mas confesso: eu adorava!!! Achava o máximo vê-la usando algo que eu escolhi. É, foi uma história sacana que vivi na vida, porque se a gente não tem uma história sacana pra contar, não tem graça. E ela tinha que beijar meus pés, porque eu arrasava nas escolhas e neste caso eu não sentia a menor inveja, já que eu não gosto de jóias.

Saímos sempre felizes da vida da loja, eu carregando o presente e o vendedor achando que éramos um casal formidável e que eu era uma moça de muita sorte, já que passava por lá mais uma vez por mês.

E mesmo assim eu não sei quanto um brilhante custa. Não lembro se compramos brilhantes. Eu não me interessava pelas pedras ou pelo valor da jóia. Eu me interessava pela estética dela e nunca soube quanto ele pagou por qualquer jóia que eu tenha escolhido. E eu sei que sou daquelas que tudo que gosto é sempre o mais caro [por isso me ferro tanto nas minhas finanças]. O caso durou pouco, mas como éramos amigos, eu continuei escolhendo as jóias.

E a moça ali com a mão esticada mostrando sua aliança de brilhantes. Era uma aliança de compromisso. O cabelereiro soltou:

- Coitado! Você encoleirou mesmo, hein? - e todos riram

- Eu expliquei para ele que uma aliança não quer dizer nada. Eu queria
apenas uma aliança. E namoramos há três anos e eu achei que merecia uma. Não é linda? - e esticava o dedão e sorria satisfeita

As três amigas riam e falavam ao mesmo tempo.

- O meu namorado nunca vai me dar uma aliança. Se eu pedir uma aliança para ele, é capaz dele terminar o namoro. Já é provável que queira terminar comigo quando ver minhas unhas vermelhas.

- Não entendo como homem pode não gostar de unhas vermelhas. São lindas. - consolava a amiga

E a outra abria as mãos branquinhas e finas mostrando suas longas unhas vermelhas. Pensei em deixar as minhas vermelhas também, mas aí olhei e achei elas curtinhas demais para pinta-las de vermelho. Mãos pequenas, unhas pequenas. Gosto de mãos, mas tenho pânico que as minhas envelheçam. As mãos sempre entregam tudo!

Uma mais animada perguntou quando ela ficaria noiva. Ou seja, ela só queria uma aliança porque achava bonito, mas respondeu que em breve, afinal eram três anos de namoro, ela pediria uma aliança de noivado.

Às vezes nem eu entendo as mulheres. Ontem quando minha amiga desolada pelo aparente descaso de D [vide post "ex-pretê na roda"] confessou:

- Eu não entendo ele.

- Ué, mas como entende-lo se você vive dizendo que não se entende.

Isso sim eu não entendo. Eu me entendo tão pouco e acho que estou piorando. Acho muita pretensão querer entender as pessoas. A gente tenta, mas no fundo a gente não entende nada.

Agora vou enterrar a cabeça no travesseiro e voltar a Charles Bukowski, que tem sido minha companhia nessas noites solitárias.

--> ouvindo Bloc Party


Escrito por Desiree às 14h32
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Tenho meus momentos histéricos, afinal quem está livre deles? Ontem enquanto folheava uma revista feminina e lia um artigo sobre feminilidade, eu me perguntei e noiei "sou feminina ou não?". Mandei um torpedo com a questão para meus dois melhores amigos, que costumam ser as pessoas mais sinceras possíveis [o problema está no "possíveis"].

Esperei na maior agonia e ninguem respondia. Eu os teria colocado num bico de sinuca? Longos minutos depois um deles me liga e já pergunta com um tom preocupado [era para responder e não perguntar]:

- Aconteceu alguma coisa?

- Claro que não. Apenas noiei.

A conversa transcorreu sobre todos os assuntos possíveis, inclusive sobre o Big Brother, que ambos assumiram estarem assistindo naquele momento, mas em nenhum momento minha feminilidade e meu charme foram incluídos na conversa.

Desliguei sem a resposta. Uma hora depois o segundo responde via SMS mesmo:

- Claro que sim!

Espero que ele não tenha mentido, pois a pergunta ainda martela hoje na minha cabeça, já que continuo em um momento histerico-inseguro-idiota-infantil. Antes de dormir ainda fiz as continhas para ver se eu estava na tpm, já que uma espinha despontava bem no meio da bochecha e a neura poderia ter alguma ligação com esse momento feminino altamente vulnerável. Não, mas no sonho eu menstruei o ano inteiro e mesmo assim a tpm irreal permanece impregnada em mim.

Hoje só vou ouvir Air, Arcade Fire e outras bandas fofas que não vão me exaltar.

O maior problema nesses momentos histéricos é que pensamos no ex que já esquecemos e ficamos imaginando o quanto seria bom estarmos juntos. Dá aquela vontade de ligar, mandar torpedo, dizer que está com saudades. E tudo isso parece tão real. O problema é que ele sempre sabia quando eu estava de tpm e pode desconfiar que tudo não passa de um mero momento vulnerável e histérico.

Agora me fale se não é a Björk cantando em "I´m sleeping in a submarine" do Arcade Fire? Eu queria tanto ter aquela voz infantil.

Estou naqueles dias que pedimos para o mundo fazer um pit stop para podermos tomar um pouquinho de ar e refrescar. No meu caso, eu queria uma taça de champagne.


Escrito por Desiree às 04h26
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Meu último flatmate ao sair do apartamento deixou um presentinho para mim: um dvd intitulado "Calouros do Sexo". A capa azul com homens bem feios na capa nunca atraiu minha atenção o suficiente para eu assisti-lo. Ontem no msn eu e um amigo começamos a falar sobre filmes pornôs e eu o convidei para uma sessão em casa, pois no mínimo seria divertido.

A sessão pipoca rolou, mas não aguentamos nem dez minutos de filme de tão ruim que ele era. Filmes pornôs já costumam não ter a melhor qualidade, mas esse foi insuperável na má qualidade. Rolou um cunilíngua de dez minutos, que foi o suficiente para desistirmos do filme. O melhor para mim foi a abertura, em que uma música romântica tocava ao fundo, cada ator se apresentava e isso me lembrou aqueles powerpoints emotivos que as pessoas insistem em me enviar, mas eu não abro.

No final terminamos com pipoca e "Os outros" que passou na Globo ontem e foi a única opção de quem não tem tv a cabo em casa.

Acho que estou numa fase carente, precisando de abraços, beijinhos, cafuné e dormir grudadinha em alguém. E estou vendendo o dvd "Calouros do Sexo" e comprando "Delta de Vênus".


Escrito por Desiree às 02h39
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Foi deixado um comentário no meu último post dizendo que as mulheres não prestam. Isso cheira a machismo retrógrado. Como disse um outro leitor, quem não presta são os imprestáveis.

O que é não prestar? O que é prestar para alguma coisa?

Vamos ver: eu presto para conversar, para fazer rir, para organizar a casa, para ser amiga, para ser namorada, para ser amante, para dormir, para trabalhar, para fazer o bem, para tirar sarro e para um monte de outras coisas que não vem ao caso comentar.

Li em um blog há pouco que os homens são na maioria infiéis porque pensam mais em sexo do que as mulheres. Esse papo é o mais antigo. Eu o ouço desde que para mim sexo oral era quando as pessoas falavam sobre sexo.

Na época do colégio tinham as mais saidinhas, que chamávamos de "galinhas" e as mais recatadas [eu estava na listinha] eram as "legais". Hoje eu já não sei mais como funciona essa divisão é o que é exatamente uma mulher galinha. É a que faz o que está afim e não quer compromisso? E esse é também o homem galinha?

Eu tenho um amigo que eu acho galinha. Ontem ele chegou em uma festa e logo estava se atracando com uma amiga, depois soube que ele tinha ficado com mais três além dela. Acho isso desagradável e até um pouco infantil. É o tal do "vamos ver quem beija mais?". Ele virou piada e ninguém o leva mais a sério. Não sei o quanto ele consegue se divertir assim.

Quando eu tinha 17 anos, a maior preocupação minha e das minhas amigas era não chegar virgem aos 18, como se isso fosse ser uma mudança drástica em nossas vidas. Posso garantir que a maioria de nós chegamos. Eu logo comecei a namorar muito sério e três meses depois dei adeus ao selinho de garantia da minha virgindade. De lerda eu virei a moderninha da turma.

Na época uma amiga mais "saidinha" me alertou:

- Nada de fazer sexo oral, hein?

Eu não tinha chegado nessa etapa ainda, pois era avançar demais o sinal para mim, mas fiquei intrigada com a dica:

- Por que?

- Porque é vulgar demais e só puta faz isso.

- Entendi.

Fechei a boca, porque eu não queria que meu namorado me visse com olhos diferentes do que eu queria que ele visse. Claro, isso não durou muito. Não olhar com outros olhos, mas a boca fechada.

Hoje eu tento julgar o menos possível as pessoas. A gente fala que não julga, mas julgamos o tempo inteiro. Às vezes julgamos até por inveja, porque é mais fácil falar mal do que assumir uma invejinha besta, mas o assunto aqui é outro.

Ouvi um dia desses que raramente uma relação começa pelo sexo. Pode ser, porque seduzir aos poucos é uma delícia, mas se você fica com alguém e é bom demais, você quer repetir. Eu tive um namoro sério que começou assim, mas sei que são exceções.

Enfim... ando meio entediada com esse papo do que é certo, do que é errado, se você deve agir assim ou assado. Acho que pensar nessas coisas em plena segunda-feira não é a melhor idéia.


--> ouvindo Editors

Escrito por Desiree às 11h33
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