"Um amigo geólogo explicou-me sobre o alinhamento dos planetas e a influência negativa que isto esta acarretando para as pessoas. Todos em crise, sim! Acho que está claro isto! Resta a nós modificarmos as rotas dos pensamentos, não é fácil - quanto mais nos apegarmos nos vícios maior será o prolongamento do fogo em nossas mentes; não adianta abáfa-lo. Temos que apága-lo. E sem remédios e sexos casuais. O negócio é alguns tragos de cerveja e idéias mirabolantes para inverter o mundo! eita!!! " by Felipe Luiz

Pois bem, após ler esse comentário deixado ontem no meu blog, um amigo comentou:

- Você precisa de apenas quatro cervejas.

- E sexo casual?

- Aí diz que não pode.

- Tá bom.

Horas depois:

- Oi, você ainda está no supermercado?

- Sim. Quer alguma coisa?

- Aumente a quantidade de cerveja porque chegou visita.

Recorri a tentativa de que a cerveja aliviria meus males. Uma cerveja, duas cervejas, três cervejas. Eu faço parte da espécie que na terceira cerveja já está virando os olhinhos. Não terminei a lata. Ri, falei bobagem e fiquei com vontade de dançar.

Não dancei, mas conspirei contra os astros, contra o alinhamento do planeta e contra essa negatividade que andou assolando meu território.

Às vezes só necessitamos mesmo de cerveja, pois somos capazes de chegar onde queremos com uma na mão. O investimento de módicos R$ 3,60 rendeu. O que uma cerveja não faz por você?

Escrito por Desiree às 12h51
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Estou ouvindo Mercury Rev e ouvir a banda me trouxe lembranças divertidas. Com exceção ao vocalista, que é uma bichinha bem chata, a banda é bacana e os caras são bem simpáticos. Dividimos a cerveja e comidinhas servidas no camarim no ano passado. Rimos, falamos coisas rápidas sobre o show, que iria começar em minutos até a chata da tour manager deles vir arrasta-los para outra sala.

E essa noite veio à tona hoje duas vezes na minha cabeça. Lá estávamos fazendo as unhas e a dona Luciana Gimenez surgiu no assunto. A manicure disse:

- Todo mundo diz que ela é burra, mas burra ela não é mesmo.

- Concordo. Ela teve um filho com o Mick Jagger.

- E tá se dando bem na TV.

- É, tem herdeirinho. Chique essa mulher.

Eu nunca tive uma oportunidade de ouro como essa dona Gimenez, mas como estou numa fase em que sexo é mera lembrança de tempos remotos e fartos, eu fiquei lembrando dos dias em que coisas mais interessantes rolavam na minha vida.

Noite barulhenta. Lá estava eu com o Raveonettes assistindo ao show do Mercury Rav. Bebendo, bebendo, derretendo, bebendo, bebendo. Lá do alto o show era realmente bonito, mas estava numa vibe oposta a que estávamos.

Na manhã deste mesmo dia eu tinha assistido um show do Mercury Rev particular. Éramos três, eu e mais dois amigos, como platéia. Eles passaram o show inteiro e o vocalista bichinha [desculpe-me se alguém morre de amores por ele, mas eu bodiei] estava contido e mais simpático. O tal show particular foi ótimo e eu vibrava emocionada. Afinal lá estava eu e o Mercury Rev tocando só para mim [pelo menos fiz ser assim para eu ficar feliz].

Já à noite não estava rolando. Aqueles braços abertos e os dedinhos se mexendo começaram a me irritar. Dona Sharin, uma loira muito linda, começou a me olhar entediada. Ah, ela também gosta muito do Mercury Rev e só tinha esticado a noite por ali porque queria ver o show deles. E com ela também não estava rolando. Já no meio do show ela disse que queria ir embora. O restante da banda também estava impaciente e uns ficando bodeado.

Fugimos do local e fomos todos dançar e beber mais um pouquinho. A máxima da noite foi quando meu rock-star do dia disse:

- Seria uma boa ter um filho no Brasil. Daria um marketing incrível para a banda.

- Ahn?

- Não acha?

- Será?

Imaginei-me como mãe. Como seria meu filho? Teria olhos azuis como os dele? Pele branquinha? E os cabelos? Que puxasse os meus, pelamordedeus. Provavelmente seria magrinho. Será que nasceria cantando? Ou dançando? Eu ia sair na Revista Caras e seria conhecida eternamente como "mãe do filho do..."? Tirariam fotos de nós quando saíssemos da maternidade? Ele viria ao Brasil para conhecer a escolhinha do filho? Ou seria filha? Acho que seria menino. Eu sempre acho que se um dia eu tiver um filho, ele será menino. Certezas daquelas que a gente carrega e nem sabe o porquê.

Uma vidente há anos atrás disse que eu teria três filhos. Meu tempo está se esgotando. E ainda disse que eu teria um aborto. Errou nas duas previsões, a não ser que eu fique grávida e perca o bebê por qualquer motivo que não seja uma vontade própria, tenho até um lado maternal [que poucos acreditam] que não se conteria de tanta felicidade. Três filhos acho pouco provável, a não ser que eu arrume um milionário, pois não me contentaria em dar menos do que eu gostaria aos meus filhos e hoje ter filho é bem caro. Então eu teria um.

E cá estou falando em filhos e a única coisa que eu queria hoje era um cafuné.

--> Nem era isso que eu ia escrever, mas agora vai assim.

Escrito por Desiree às 10h22
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Sabemos que ninguém está satisfeito com o corpo que tem, com a pele que tem, com o cabelo que tem ou com qualquer outro item. Nós, mulheres, somos campeãs nessa insatisfação constante.
Eu sempre fui magrela. Na infância meu apelido era Olívia Palito e eu vivia me escondendo em roupas largas, o que só piorava a minha magreza. Cresci e descobri como tirar proveito do corpinho sem muita generosidade. Decotes, roupas justinha, calças sequinhas, minissaias. Tudo começou a fazer parte do meu armário.
Agora entrei em nóia. Enquanto vivo à volta com amigas brigando com a balança na tentativa de perder uns quilinhos, eu ando arracando os cabelos tentando ganha-los.
Esse mundinho fútil que vivemos me mata, mas sou muitas vezes vítima dele. Tento me desvencilhar e não me preocupar com meus pés de galinha, meus fios de cabelos brancos, minhas ruguinhas nas mãos, celulite e outras pendengas, mas não rola. Tenho meu lado vaidoso e mais fútil do que deveria ser. Tudo é planejado. Talvez só para trabalhar é que sou mais desencanada. À noite eu não sou ninguém sem uma maquiagem e uma produção pensada. Base não pode faltar. Blush não pode faltar. Sombra e rímel não podem faltar. Batom é obrigatório. Cabelos desarrumados "pensadamente" com o secador e a pomada.
E agora essa neura infundada com meus quilos a menos. Ando sem apetite, o que aumenta minha preocupação. Ninguém anda me dando bola, o que aumenta mais ainda a minha preocupação. Estou estressada e isso me preocupa ainda mais. Ando chata e reclamona o que faz eu achar que está na hora de pagar um terapeuta, mas não tenho um horário vago nas minhas 24 horas diárias e nem dinheiro sobrando na minha conta bancária. As idéias andam falhando. A criatividade está de molho. A paciência sumiu. Ah, e ainda perdi um quilo em meio a essa fase esquisitona para contribuir de maneira eficiente nas minhas neuras.
Nessas horas nada como ter amigos gays, que sempre te levantam, sempre juram que você está ótima [quer dizer, um dia desses um amigo gay disse que sou "acabada", o que me deixou chocada, já que na minha pretensão todo mundo acha que sou mais nova do que realmente sou] e uns até dizem que só não namora com você porque não gosta mesmo da fruta. Como estamos em fase de extrema neurose, a gente acredita para não cortar os pulsos.
O que me anima é que sei que se não existem fases neuróticas, a vida pode ficar chata demais! As neuroses contribuem para pequenas mudanças e alguns luxos, pois se estou neurótica eu fico compulsiva e me dou vários presentinhos, o que também resulta em falência, que tem parecido eterna.
Por isso tudo que acho que toda mulher merece um casinho fixo quando estão solteiras. Eles são ótimos para nos fazer rir e aliviar algumas tensões, mas andam difíceis. Acho que ando temporariamente de bode.
Preciso de uma entrevista com o Woody Allen.

--> deixei a vitrola vazia


Escrito por Desiree às 11h23
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