Constatações sabáticas
Talvez esse post soe preconceituoso em alguns trechos. Tenho meus preconceitos e um dos meus objetivos é conseguir me livrar deles ainda nesta vida. Talvez eu consiga.

Constatei hoje que, apesar de achar que estou numa fase sociopata, sou dependente de pessoas. Desliguei o celular, peguei o iPod e um bom tênis para encarar minha caminhada solitária e saí vagando por aí. Não foi fácil me livrar da minha cama que combina [na cor, já que minah cama anda uma calmaria insuportável] perfeitamente com a capa do meu livro de cabeceira do momento: Pornô de Irvine Welsh. Fecho o livro com aquela inveja de alguém que tem uma narrativa fluída e instigante.

O sol que no início era uma ótima companhia logo se tornou insuportável, então me refugiei em uma mesa de bar e pedi um chopp. Constatei que tomar chopp sozinha o faz menos saboroso, tanto que demorei para sorver o primeiro copo [e último].

Fiquei longos minutos sentada na minha mesa, tomando demoradamente o tal chopp, com o fone no ouvido desligado, pois deu vontade de ouvir a conversa dos três rapazes que sentavam na mesa ao lado. Pasmem! Eles falavam sobre terapia, fim de relacionamento, como é ruim ficar sozinho e paixão. Senti-me em casa, afinal esse é o papo que costuma permear as conversas que tenho com minhas amigas. O problema foi não poder dar pitacos e discordar de alguns pontos.

Constatei também que gosto muito de reparar em como as pessoas se vestem. Isso faz eu lembrar que um dia num passado distante eu prestei vestibular para Moda, quando ainda tinha apenas uma ou duas faculdades em São Paulo com este curso no curriculum. Desisti, pois não é de fato a minha praia. Além de reparar nas pessoas constato também que a maioria se veste muito mal. Menos é mais, mas muita gente ainda não descobriu isso. Percebo que estilo é algo muito importante na minha vida. Se é fútil? E daí?

Constatei que em dias solitários eu tenho recaídas sexuais pelo meu ex, o que fez eu ligar o celular e ligar para ele. Um pedacinho de mim suspirou aliviado ao dar de cara com a caixa postal. Sei mesmo lidar com isso?

Constatei que o celular é uma grande droga, pois mesmo querendo ficar sozinha, insisti em torpedos para pessoas próximas e queridas. Felizmente estavam todas ocupadas e pude assim continuar minha saga solitária.

Constatei que conheço gente demais, pois parei algumas vezes para trocar rápidas palavras com conhecidos e com um deles, eu ousei ligar o celular novamente e tive três ligações simultâneas para atender, o que fez eu desliga-lo em seguida.

Constatei que fico compulsiva quando estou sozinha, pois me sinto carente e mato essa carência fazendo comprinhas. O saldo foi bom: duas revistas, Política de Adam Thirwell e Simone de Beauvoir e Sartre - Tête-à-Tête de Hazel Rowley.

Constatei que não tenho saco para relações à distância. Se está fofo no msn, me irrita e se não pode falar comigo porque tem que sair, me estressa.

Constatei que quando vejo mulheres lindas eu tenho vontade de beijá-las, mesmo que mulheres não estejam nas minhas preferências sexuais e também constatei que se fosse lésbica eu teria grandes chances de ficar sozinha, pois seria bem exigente.

Constatei que minha amiga que alega não arrumar namorado porque está gordinha está enganada, pois vi muitas gordinhas com namorados a tiracolo na minha caminhada. Talvez o problema esteja mesmo no nível de exigência dela.

Constatei também que mulheres "moderninhas" e de cabelos curtos são sempre confundidas com lésbicas. Fui convidada para participar da Semana da Visibilidade Lésbica.

Constatei que preciso de mais sábados assim, pois eles me inspiram e rendem bons saldos, mesmo chegando em casa com o cartão de crédito no limite.

Constatei também que não sei onde colocar as vírgulas e às vezes sou bem fútil.

Escrito por Desiree às 17h19
[] [envie esta mensagem]



Neuras femininas
Remetendo ao meu post anterior eu ainda não entendo muito o porquê dessa dependência masculina que temos, mas temos. Uma amiga andou empolgadíssima com um novo amigo. Percebeu certo interesse do outro lado, revirou os olhinhos, contou para os próximos que andava apaixonada e até atiçou o ciúme paterno ao dividir seu novo interesse.

O bom é que quando nos apaixonamos ficamos animadas com tudo, rimos à toa, estamos disposta para qualquer programa, caprichamos ainda mais no visual, cuidamos da alimentação e até pensamos em voltar para a maldita academia.

No final de semana houve até um "charminho" por parte dela em não retornar suas ligações. No dia seguinte eu via no seu msn uma frase que remetia a alguma desilusão. Preocupada lá fui eu investigar o ocorrido:

- Está tudo bem?

- Não. Você não sabe da última.

- O que rolou?

- Ele é gay.

Depois disso houve um certo descontrole na conversa. Conversas no msn nem sempre tem finais felizes porque damos a elas o tom que queremos e nesse caso o tom foi bem azedo. O final foi:

- Estou cansada, vou embora do Brasil.

- E acha que precisa ir embora do Brasil para encontrar alguém?

- Aqui só tem gay.

Enfim, não concordo. Há bastante homens por aí, o problema é que as pessoas não estão muito afim de namorar e os que curtem namorar já estão namorando. Quase lei de murphy. No dia seguinte em uma cerveja na casa de um amigo a conversa foi mais ou menos a mesma, mas com outra interlocutora:

- E aí, sozinha?

- Hmmm.. não sei. - respondi

- Como não sabe?

- Ele foi embora. Disse que volta em breve, mas eu não sei esperar. E você?

- Há dois anos sozinha.

- Hmm... mas você não estava com fulano?

- Não, apenas um casinho aqui, outro casinho ali. Ninguém quer saber de namorar.

Aí lembrei que a primeira amiga acusou de não arrumar alguém por estar com alguma maldição, depois acusou seu próprio corpo de não estar no padrão e os homens serem exigentes com isso. Olhei para a minha outra amiga com seu rosto bonito, com seu corpo em cima, com sua independência, com seu bom papo e fiquei pensando o que procuram os homens, pois já as mulheres parece que meu amigo respondeu no final do texto anterior.

Escrito por Desiree às 17h26
[] [envie esta mensagem]



[ ver mensagens anteriores ]