Ele simplesmente não está afim de você
Um dia desses cruzei com uma amiga que eu não via há anos. Logo fomos nos atualizando sobre nossas vidas e então ela pergunta em tom quase confidencial:

- Você já leu aquele livro do roteirista do Sex and the city?

- Hmmm... qual livro?

- O título é “Ele simplesmente não está afim de você”. Eu preciso ler este livro.

- Ah, não precisa. Eu te conto tudo!

- Você leu?

- E precisa? Sei a lista completa... quer que eu te fale?

- Claro! Manda.

Então comecei a tecer todas as obviedades de quando um cara não está afim de você. E claro, para cada constatação, uma desculpa do outro lado:

- Ah, mas é que ele acabou de sair de um relacionamento.

- Ele disse que quer ir devagar.

- Eu sinto que ele gosta de mim.

Ah, mulheres!! Sempre temos um fio de esperança para acreditar que ele está afim quando na verdade ele já está sobrevoando outro terreno. Por que será?

Escrito por Desiree às 14h25
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Nossa imagem pública
Estava discutindo com uma amiga há uns dias atrás sobre como nos comportamos em público. Ela estava muito preocupada porque um pretê que a conhecia apenas virtualmente atravessou a cidade para se deparar com ela pendurada no pescoço de outro em uma festa. Claro que isso já era quase final de madrugada, todos os copos já estavam vazios e o lado racional, que ainda existe, tinha dado curto circuito. Ela nem se deu conta de que foi vista. No dia seguinte eu disse que tinha sido uma grande sorte não terem se encontrado, pois ela realmente tinha pisado na jaca e poderia causar uma má impressão sendo vista pela primeira vez em estado tão ululante.

Claro que após sumiço de quase um dia, a minha amiga se preocupou e teceu algumas teses, sendo a que ele a tinha visto, mas não tinha curtido era a que mais lhe causava aflição. Tentei acalma-la a não tirar conclusões precipitadas, pois domingo costuma ser um dia em que as pessoas ficam bodeada.

Depois de um tempo o sujeito deu sinal de vida e expôs o ocorrido. Ela ficou num misto de alívio e incredulidade. O que rolou é que ao chegar no recinto, o moço se deparou com minha amiga com “outro”, conforme eu entreguei no início do texto. O problema é que as situações ainda não possuem legendas, o tal amigo era gay e eles estavam apenas em um momento “fofo” festejando a amizade, já para ele a leitura foi outra.

Tudo colocado à limpa, conceitos revistos, afinal nunca sabemos quem está nos olhando em público, por isso que em raríssimas vezes eu marquei encontros com pretês virtuais em festas [se bem que há um bom tempo que não tenho um], pois nunca sabemos em que horário ele pode chegar e se de fato vai aparecer.

Ficamos uma hora discutindo a fio nosso mau comportamento. Eu já tive fases em que me entregava efusivamente aos meus amigos gays numa pista de dança. Depois de notar que as chances de alguém se interessar por você são mínimas [afinal quem vai te levar à sério?], eu comecei a me comportar [ok, às vezes eu perco o rebolado] e as coisas fluíram melhor a meu favor.

Uma outra amiga também com um pretê virtual foi encontrar o sujeito. Tudo saiu bem. O papo fluiu, deram risadas, trocaram olhares. Aparentemente pareciam encantados um com o outro. Ele foi deixá-la em casa e para a sua surpresa não houve sequer uma tentativa de beijo. Claro que ela se frustrou. Tentei convencê-la de que não precisa ter beijo logo no primeiro encontro, mesmo que haja algum interesse. Ele pode ser tímido, ele pode ter curtido e achado que vale a pena ir devagar ou claro, pode ter gostado dela como pessoa, mas não ter rolado química. Isso acontece o tempo inteiro e não é fim do mundo. Já não diziam num filminho nacional que eu esqueci o nome que sorte daquele que se apaixona por alguém que se apaixona por ele também, afinal quantas pessoas há mesmo no mundo?

Perguntou-me se deveria enviar um torpedo. Eu sugeri esperar até o dia seguinte para sentir qual era a dele. Estou aprendendo dolorosamente que precisamos ter paciência quando estamos afim de alguém. Ela concordou, mas fechou a noite com:

- Ah, eu enviei um torpedo. Agora é com ele.

É, acho que já era com ele antes, mas agora vamos ver onde isso vai dar. O que acaba conosco é nossa ansiedade e isso também que tem acabado com meu estômago e, em algumas vezes, com as minhas unhas.

Hoje sonhei que perdia o trem. Isso significa alguma coisa?

Escrito por Desiree às 16h30
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