Eu e meus muitos preconceitos
Sou dotada de alguns preconceitos e alguns são inúteis nas tentativas de extirpa-los. Como tenho um blog que inicialmente foi inspirado na extinta série "Sex and the city", eu não pude deixar de comparecer à Pachá, nossa Ibiza brasileira, para ver o ícone da house music, Miguel Migs, tocar. Qual a ligação dele com a série? Para quem não sabe, ele foi responsável pela trilha.

House não é exatamente o estilo que mais gosto, mas ontem descobri que sei muito pouco sobre música eletrônica e a velharia que ele tirou do case me causou uma hora de felicidade. Pois bem, quanto às expectativas com o som da festa, elas foram alcançadas, já o restante...

Tive uma certa dificuldade em fixar em mim durante a festa, pois eu realmente não conseguia parar de reparar nas pessoas à minha volta. Esqueci que existia um outro universo além do que eu vivo, pois há tempos que eu não me deparava com ele.

Primeiro: foi o lugar que fui nos últimos tempos que tinha mais gente bonita por metro quadrado. E claro, mais gente sem estilo. Era produção em série:

- mulheres: a maioria loira, cabelos longos, lisos [os escandinavos perdem feio], seios grandes, corpo perfeito, bronzeadíssimas, calça justa ou shorts muito curto ou saia muito curta, salto altíssimo.

- homens: vários clones do Rico Mansur espalhados. Me senti na festa da Barbie e do Ken.

Descobri também que as mulheres são mais altas em relação ao meu universo. Primeiro me perguntei que fila elas pegaram antes de descer a terra que eu não vi? A má educação reina absoluta tanto na ala feminina quanto na masculina. Não quero generalizar, mas digamos que pelo menos 80% se encaixam nos perfis acima.

Tudo é absurdamente over: o tamanho da casa, os preços, filas para pagar, a espera pelo carro no estacionamento. Fiquei aturdida!

E claro, quando a principal atração da noite entrou nas pickups, metade da pista saiu. E no banheiro o comentário era "eu queria mesmo era estar no Tiesto". Aí olhei para o espelho e assumi:

- Como sou preconceituosa, meu deus!

Claro que no meu universo também há produção em série: cabelos lisos, pretos, pele branca, meninas de estatura média com um grande número de magérrimas, all-star nos pés.

Em "Ibiza" [ou na Pachá, se preferir] é tudo muito sexual. O sex appeal GRITA! Tá, como dizia uma amiga "quem vai para a pista quer beijar". E na pista de ontem isso pareceu ainda mais gritante. Outra coisa interessante é que as lindas andam com as lindas, as mais ou menos com as mais ou menos. Vi poucas misturadas. Já o lance de que mulher linda não liga muito se o homem é bonito ou não, parece não valer neste universo, porque só vi casais apolíneos.

Claro que ao sentir um cara se aproximando de mim e dançando muito próximo, quase sentindo sua respiração no meu pescoço fez eu me sentir um pouco estranha, já que eu só não passo despercebida porque assim como eles são estranhos para mim, eu sou bem estranha para eles.

O resumo é que a noite foi ótima. Adoro experiências antropológicas e a auto-estima não foi atingida graças à rápida quase-encoxação do clone do Mansur.

Pensei como seria esta experiência para o quarteto nova-yorkino da série citada. A Carrie se penduraria no Miguel Migs, a Charlotte agarraria um advogado enfiado numa camisa listrada justa, a Miranda iria embora na primeira meia-hora e a Samantha levaria mr. Mansur para casa depois de transar no estacionamento. Simples assim, como diria um amigo!

Escrito por Desiree às 17h07
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