A indecisão masculina
Tenho uma amiga que vai na contramão da maioria das mulheres que conheço. Desde que a conheço ela é daquelas que está sempre se esquivando de compromissos. Claro que isso não impede de que ela esteja sempre acompanhada.

Ela sempre teve um discurso, que para mim era furado, do porquê não querer namorar. Eu tinha minha tese pronta, mas ela negava qualquer acerto da minha parte. Ao contrário, ela desdenhava, já que eu sempre tinha uma paixão nova avassalando meu pobre coração.

Me surpreendi quando ela passou um mês saindo com o mesmo cara. De repente lá estava ela toda risonha, com os olhos brilhando, andando de mãozinhas dadas e o cara do outro lado fazendo planos de viagens juntos, falando de futuro e ela mesmo no seu pânico pelas coisas estarem ficando sérias, foi relaxando e dando espaço para as coisas acontecerem.

E funciona desse jeito, simples assim. Começamos a sair com alguém, bate aquela afinidade, nasce a cumplicidade, trocamos risadas e sem querer já fazemos planos para amanhã, para o final de semana, para a semana que vem, para o próximo mês. Quando nos damos conta, estamos comemorando os primeiros seis meses juntos, um ano e por aí vai. E claro, infelizmente a parte chata do pacote vem junto: cobranças e ciúmes.

Tudo poderia ser simples, mas raramente conseguimos fazer com que seja. E aí que lá estava a minha amiga atravessando esta primeira etapa e finalmente deixando as coisas acontecerem, curtindo um monte, pensando no presente de aniversário dele e eu animada do outro lado assistindo à sua evolução no campo amoroso.

Durou pouco, afinal o ser humano muitas vezes é boçal e tem um medo incrível de viver coisas boas. Quando tudo parecia bem e o pseudo-namorado ainda ligava todos os dias, queria vê-la toda hora, ela recebeu um email.

O email até começou fofo, divertido e aí logo na seqüência, como tudo bem arquitetado, veio o balde de água fria com um blá, blá, blá que pareceu interminável, porque é sempre assim "blá, blá, blá". Falta até criatividade no discurso, porque ele sempre é EXATAMENTE o mesmo. Pois bem, traduzindo o "blá, blá, blá" mesmo sem necessidade, o moço dizia que estava preocupadíssimo porque estava super envolvido, gostando um monte, querendo estar o tempo inteiro do lado e aí precisava de tempo para pensar.

Pensar no quê? Isso faz chegar à conclusão de que as pessoas sempre vão esperar que do outro lado haja alguém melhor ou mesmo não sabem assumir que não estão apaixonadas, que o esperado friozinho na barriga não está rolando, que as tais borboletas não surgiram.

Se o homem não está afim, por que ele cria todo um discurso para fazer a gente ter um fiozinho de esperança de que ainda pode rolar alguma coisa? É para deixar uma porta aberta e toda vez que as coisas estiverem devagar, ele poder pegar o telefone e ligar para ver se estamos afim de uma cervejinha e quem sabe um revival sob lençois? Então assuma logo que quer ser "trepê" e aí temos chance de saber se é isso que queremos ou não.

Claro que esta história toda levou minha amiga de volta à contramão, logo agora que ela estava tão animada em deixar aflorar o lado "mulherzinha". Por isso às vezes eu acho pessoas que não sabem ser transparentes, desprezíveis.

Escrito por Desiree às 16h15
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