Papo de boteco
Hoje na hora do almoço junto com os detalhes do final de semana, as histórias ouvidas nos corredores, sofá da sala, café, boteco vieram juntas à tona. E claro, eu com meu radar atrás de um bom assunto para poder vir aqui tirar o pó, anotei tudo.

Quando eu tinha uns 16 anos fui traída pela minha melhor amiga. Eu estava no meu primeiro namoro e ela também. Saíamos sempre os 4 até eu descobrir que depois que cada um ficava na sua respectiva casa, meu namoradão voava para a casa da danada da minha amiga e se jogava nos braços da vadia, é, é assim que eu a chamei quando descobri. Afinal eu tinha 16 anos e isso era algo imperdoável para mim. Três meses depois estávamos novamente grudadas para cima e para baixo. Eu perdoava tão fácil quanto odiava alguém por instantes.

A história que ouvi hoje não foi muito diferente. Não houve ódio, mas talvez uma ressaca moral das partes. A moçoila da história que se sentiu atingida por outrém não teve o melhor dos comportamentos nos últimos meses, por isso ao mesmo tempo que se sentia chateada por saber que sua amiga estava saindo com seu último ex-caso [afinal ela fez questão de salientar que ele era apenas um caso, mas que ela gostava mais dele do que deveria e estava no momento numa fase murphyana - a tal força do pensamento neste caso - para conseguir cruzar com ele sem ao menos desejar um abraço mais caliente] sentia que merecia o que estava rolando.

A nossa moça da história após ter sido deixada de lado se lançou em comportamentos nada de boa família ou como manda o figurino e hoje olhou para o espelho e disse a si mesma depois de saber o que andava rolando com o cretino:

- Lembra-se que cresceu ouvindo "aqui faz, aqui paga"? Agora CHORA!

Dramático? Talvez! Ela estava mesmo arrependida de alguns atos que cometera e tomou a rasteira como lição. A que andou se jogando nos braços de seu ex-caso tentou uma aproximação, um bate papo, mas a preguiça da minha amiga não permitiu prosseguimento na tentativa de explicações, afinal o que se explica em momentos assim?

Na época em que eu levei uma rasteira da minha melhor amiga, o que mais me comoveu e fez com que eu voltasse a falar com ela meses depois, foi a sua sinceridade diante do fato:

- Eu não aguentei! Quando vi, estava acontecendo.

Simples assmi. Não existe o não querer. Ninguém faz o que não quer em casos como este. Faz porque sente tesão e aí só não pensamos com a cabeça debaixo porque não temos uma. E histórias acontecem, homens existem aos borbotões, mas muitas vezes os mais interessantes parecem ser os que andam tirando o sono de alguém que gostamos.

Escrito por Desiree às 23h09
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