4 mulheres e alguns anseios
Hoje saímos pela manhã em 5 pessoas para uma reunião, sendo apenas 1 homem no grupo. O caminho de ida e volta foi recheado de conversas profissionais e amenidades. No retorno ficamos apenas as 4 mulheres e mal o quinto elemento desceu do carro, a conversa já mudou de rumo totalmente e claro, os homens vieram todos à tona.

Ultimamente eu tenho tido muito pouca companhia feminina, sendo que a mais frequente está namorando, então há tempos que ela não me conta uma história tão picante ou desastrosa o suficiente para render um post. E eu sigo na luta sozinha. Me interessando aqui, escapando por ali. Sinto falta dos cafés recheados de amigas desesperadas à volta vomitando aos borbotões suas alegrias e desilusões. Talvez seja por isso que o blog esteja um pouco abandonado.

Hoje, porém, eu saí satisfeita do almoço, pois cada uma de nós tínhamos uma história atual muito distinta. Uma delas contou sobre sua separação após 15 anos de casamento e o que a levou a se separar foi que a relação se tornou burocrática. Ela ainda tentou um retorno poucos anos depois, porém o ex só queria arrancar-lhe uma coisa: o que ela tinha aprontado durante a sua ausência.

Enquanto nós mulheres nos preocupamos se a outra é mais bonita, os homens se preocupam se nós fomos para a cama com alguém. O problema não parece ser o fato de ter transado com alguém que não seja ele, mas o fato do outro ter sido melhor. Nós, mulheres, padecemos diante de futilidades também, mas geralmente centralizamos na beleza. Minha amiga se encheu e disse que estava com ele para tentar um futuro e não resgatar um passado. Novamente lhe deu um pé na bunda, afinal o que queria o moço? O seu diário escondido debaixo do colchão com todas as suas confissões?

Agora arrumou um casinho. Perguntamos se as coisas iam bem, porém ela está prestes a dar um novo chega pra lá, afinal o ser é separado, tem uma filha pré-adolescente e passa o tempo alugando minha amiga com seus problemas relacionados à filha. Como disse ela, mal se comprometeu e já está tendo que lidar com a parte chata da relação. Fora que as saídas tem sido geralmente a três.

A segunda amiga é a mais estável. Namora há 9 anos e atualmente mora com o namorado. Disse que nas crises que tiveram ela até pensou em tentar uma história nova, mas olhava a sua volta e achava tudo puro desalento. No trabalho ninguém a interessava, no círculo de amizade também não e pique para balada é algo que ela não tem. Agora já pensa em filhos e deixou a tentativa de uma história nova para lá. Vou mandar o link do par perfeito para ela.

A terceira, a mais nova das quatro, ao ouvir os relatos de filhos, preocupação com o prazo de validade que parece que estampam em nossas testas "tenha um filho agora, seu tempo está acabando", disse não conseguir visualizar qualquer futuro a dois. Até se apaixonou no ano passado. O rapaz tinha um filho e ela desistiu dele quando ele sugeriu deles irem morar juntos, mas o filho ficaria com os pais. Logo o filho que era justamente o que a fazia mais feliz na relação. Desconsolada por ele deixar o filho em segundo plano, ela deu um basta e descobriu que o que a mantinha com ele era de fato o enteado.

A quarta, neste caso EU, anda numa fase montanha-russa. Passa dias babando em algumas possibilidades, mas logo se desinteressa por incompatibilidades vindas à tona. O problema, obviamente neste caso, é que nessas desilusões ela dá uma corridinha lá atrás e revira seu passado para sofrer um cadinho, como se isso fosse ensiná-la que deixar as coisas rolarem é mais legal do que ficar pensando nas combinações com seus pretendentes.

50% do grupo está sozinha e 25% está pensando em ficar. Desconfio que não é uma estatística favorável, mas ainda há chances! Eu não me preocupo muito com o tal relógio biológico, talvez porque aquela vontade incrível de ter um filho ficou há muito para trás no dia em que o último pretendente a homem da minha vida partiu.

Claro que eu não dispenso uma boa história, mas acho que ando tendo um problema de interesse, pois o seres que me despertam a vontade de ter boas histórias não se interessam o suficiente por mim para querer também e os que se interessam por mim não me atiçam o suficiente para eu seguir adiante.

Hoje tudo que eu queria era só um pouco de emoção, porque repentinamente a segunda-feira ficou bege. Alguém sabe uma farmácia que venda borboletas para serem soltas no estômago?

Escrito por Desiree às 23h03
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