E o contéudo?
Passei parte da vida preocupada com meu conteúdo. Lia muito, ia constantemente ao cinema, teatro e exposições. Poderia estar em qualquer roda que eu sempre teria assunto para discutir nela. Gostava de discutir literatura, teatro, cinema, filosofia, sociologia, história.

Dei-me conta de que tudo que fazemos é para nos garantir sexo. Eu queria não apenas ser inteligente, mas parecer interessante. Queria que meu conhecimento fizesse de mim alguém mais desejada.

Cansei. A vantagem da idade que avança é que de fato (na maioria das vezes) somos nós mesmas. Ainda me importo com o que as pessoas acham de mim, mas com bem menos relevância. Troquei os livros pelas revistas e dei descanso para o meu cérebro. Nietzsche de repente era uma lembrança distante. Entreguei-me sem qualquer pudor à minha futilidade, a qual eu demorei 3 décadas para assumi-la.

Gosto de estar em rodas e falar bobagens. Gosto de me jogar no sofá e ver séries que não me fazem pensar. Gosto de soltar meus venenos.

Recentemente uma amiga reclamou que os homens não gostam de mulheres fodonas. Eles preferem as complacentes. Aí pediu para eu pensar em todos os amigos fodões que temos. Como temos sorte, a lista não era tão pequena. Como temos azar, nenhum deles está conosco. Percebemos que mais da metade dele está com alguém ok. Quando discuti esse mesmo assunto com um amigo que eu considero fodão, ele respondeu que duas pessoas fodonas resultam em curto-circuito.

Só aí me dei conta de que ando alguém bem comum, então um desses aí que eu considero fodão poderia me dar uma bola, hein?

E se alguém que eu gostar fizer questão do conteúdo, eu dou um pendrive com tudo: com músicas que gosto, com e-books que marcaram minha vida, com fotos das viagens interessantes que fiz, com textos que atuei, com textos que escrevi, com minhas resenhas, meus devaneios.

Escrito por Desiree às 12h31
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